Brasília, 08 (AE) - O presidente em exercício da Câmara, Heráclito Fortes (PFL-PI), divulgou hoje nota em repúdio às declarações do líder Gilmar Mauro, da coordenação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que teria defendido o fechamento do Congresso, durante a manifestação Grito dos Excluídos, em Aparecida, no Vale do Paraíba (SP), ontem (07). "Antecipo que estou encaminhando a notícia de tais declarações para exame da Procuradoria Parlamentar da Câmara dos Deputados, com vistas às medidas legais cabíveis", disse Forte, na nota.
O líder do PT na Câmara, José Genoíno (SP), apoiou a divulgação da nota. "Tenho feito críticas ao Congresso, mas não concordo com as declarações do líder do MST", disse Genoíno. Segundo ele, o Congresso tem problemas e deve ser reformado. "Mas a solução não é fechar", disse o líder petista, defendendo a preservação da instituição. Mas, segundo Genoíno, a discordância em nada afeta o relacionamento de apoio do PT em relação ao MST.
Lida no plenário da Câmara pelo primeiro secretário da Mesa Diretora, Ubiratan Aguiar (PSDB-CE), a nota da presidência do Legislativo informa que a "Casa estará atenta a qualquer tentativa de menoscabo à instituição parlamentar, máxime a veiculação de propaganda que leve à sua dissolução". Fortes falou que existem consequências para aqueles que abusam do direito à livre manifestação do pensamento.
"Todos queremos que a pobreza, a marginalização, as desigualdades sociais e regionais sejam erradicadas, em cumprimento de um dos objetivos fundamentais do Estado brasileiro", diz a nota. "Todavia, isto só será possível se realizado dentro das regras que regem o Estado democrático de direito."

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