Presidente e vice da BM&F depõem dia 6 à CPI dos Bancos
Brasília, 29 (AE) - O presidente da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), Manoel Cintra, e o vice-presidente da instituição, Ney Castro Alves, vão depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bancos no dia 6. A data foi marcada hoje, durante reunião fechada dos integrantes da CPI. Os senadores querem esclarecer os motivos que levaram a BM&F a mandar uma carta ao Banco Central (BC), em 14 de janeiro, em que alerta para a possibilidade de crise sistêmica naquele mercado se o banco não desse liquidez às instituições com dificuldade em honrar os compromissos.
Além da carta, os integrantes da CPI querem saber também como foi que a BMF permitiu que o Banco Marka fizesse operações de valor total equivalente a 20 vezes o patrimônio. Essa alavancagem foi considerada como "uma certa aberração" pelo presidente do BC, Armínio Fraga Neto, durante o depoimento à CPI. Outra pergunta que provavelmente será feita é como a BM&F permitiu que o Banco Marka fosse o corretor do Fundo Marka-Nikko. Se um investidor não honra os compromissos, as garantias são executadas. Se ainda existir uma quantia a ser paga, a corretora é chamada para a honrar.
A CPI dos Bancos decidiu também hoje convocar cinco funcionários do BC que participaram diretamente da operação de ajuda aos Bancos Marka e FonteCindam. Na segunda-feira (03), a CPI ouvirá a chefe do Departamento de Fiscalização do BC, Tereza Cristina Grossi Togni, e o chefe-adjunto desse setor, Vânio César Pickler Aguiar.
Esses dois funcionários foram os que conversaram diretamente com o dono do Marka, Salvatore Alberto Cacciola, em 13 e 14 de janeiro. Também será ouvida a ex-chefe do Departamento de Operações das Reservas Internacionais Maria do Socorro de Carvalho, que executou as determinações da diretoria do BC de venda de dólares ao Marka e ao FonteCindam.
Na terça-feira (04), a CPI ouvirá os depoimentos de dois procuradores do BC, Manoel Loiola e Francisco José de Siqueira, que deram parecer favorável à operação de ajuda ao Marka e ao FonteCindam. O BC confirmou que não houve parecer jurídico por escrito sobre a operação, mas apenas um carimbo do Departamento Jurídico no voto que homologou as operações com o Marka e o FonteCindam. O BC alega que é esta a sistemática usada na instituição.
Na quarta-feira (05), a CPI ouvirá o deputado Aloízio Mercadante (PT-SP), que alega dispor de documentos que mostrariam uma significativa mudança de posição de várias instituições financeiras na véspera da desvalorização cambial. Esses documentos, de acordo o parlamentar, seriam indício claro de que houve vazamento de informação.





