Presidente e coordenador da Petrobras divergem sobre problema na Reduc
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terça-feira, 01 de fevereiro de 2000
Por Felipe Werneck 
Rio, 01 (AE) - O presidente da Petrobras, Henri Philippe Reichstul, e o engenheiro Laércio Horta, coordenador de Meio Ambiente da área de Abastecimento da estatal, divergiram sobre o principal problema ambiental a ser enfrentado na Refinaria Duque de Caxias (Reduc) após o desastre ambiental. Em 18 de janeiro um duto se rompeu e quase 1,3 milhão de litros de óleo vazaram na Baía de Guanabara.
Reichstul disse, na sexta-feira, considerar o sistema de resfriamento da Reduc, que utiliza água da baía, o "principal problema da refinaria do ponto de vista ambiental". Ainda segundo o presidente, durante o processo de resfriamento das unidades da Reduc, a água, que é devolvida à baía em temperatura acima da original, acumula resíduos de "vários produtos contendo petróleo e derivados".
Reichstul disse, porém, que não há verba definida para resolver o problema. "Temos de analisar seriamente a possibilidade de fazer investimentos para a construção de uma unidade autônoma de resfriamento, sem ligação com a água da baía
mas ainda não começamos essa negociação com o Estado", disse ele. "Esse é um problema antigo, que vem desde a construção da refinaria, quando não havia uma consciência ecológica."
Questionado sobre o assunto, Horta, o engenheiro responsável pela supervisão dos oleodutos na Reduc, disse que esse "não é o principal problema ambiental da Reduc, mas o principal item em discussão pela estatal". Segundo Horta, a água só sai poluída com resíduos de petróleo se houver algum problema nos dutos. "Na verdade, se tudo estiver ocorrendo de maneira normal, o atual sistema de resfriamento limpa a baía", afirmou. "Mas não podemos correr esse risco, por isso estamos discutindo a troca por uma unidade autônoma." Perguntado se estaria, retificando as declarações do presidente da estatal, Horta disse preferir não falar sobre o que não ouviu.
Amanhã (02) a Petrobras começa a pagar indenizações às 5.700 pessoas - pescadores e comerciantes - prejudicadas pelo acidente na baía. A estimativa da estatal é contestada pela Federação dos Pescadores do Estado.


