São Paulo, 26 (AE) - O presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), juiz Floriano Vaz da Silva, enviou hoje à Advocacia Geral da União em São Paulo ofício pedindo providências para a reintegração da posse do prédio da futura sede do TRT. A sede virtual do tribunal está ocupada desde ontem por integrantes da União dos Movimentos de Moradia (UMM). "Não há condições mínimas de habitabilidade", disse Silva. Ele tomou a decisão após ser informado que mais ônibus chegava ao local para ampliar o número de 600 pessoas que moram ali desde segunda-feira, sem água, fogões e banheiros.
A tomada do prédio foi uma das seis invasões feitas simultaneamente pela UMM na madrugada de segunda-feira. Em apenas uma delas, um terreno do governo estadual, foi feita a reintegração de posse. A retomada de quatro prédios públicos e um particular depende de decisões judiciais. A ocupação da sede virtual do TRT foi considerada estratégica pelos líderes do movimento, por causa das denúncias de superfaturamento nas obras. O principal acusado é o ex-presidente do tribunal, o juiz aposentado Nicolau dos Santos Neto, e foi objeto de investigações da CPI do Judiciário, no Congresso. Incorporação - O governo estadual, por meio da Secretaria de Habitação, admitiu hoje a possibilidade de alguns dos prédios invadidos tornarem-se, efetivamente, moradia popular, como reivindica a UMM. Mesmo nesse caso, porém, será necessária a desocupação, pois os imóveis ou estão em obras ou precisam de reformas. Segundo o secretário Francisco Prado de Oliveira Ribeiro, esses imóveis, que ficam no centro da cidade, podem ser incluídos no Programa de Atuação em Cortiços (PAC) da secretaria.
Os responsáveis pela escolha de quem vai ou não morar nesses locais são exatamente os líderes das entidades que promoveram as ocupações. Pelos dados da UMM, mais de 7 mil pessoas participaram das seis ocupações. Reunião - Dez líderes dos sem-teto reuniram-se hoje de manhã com Ribeiro, mas querem ser também recebidos em audiência pelo governador Mário Covas (PSDB). Além de reivindicações pontuais, eles querem discutir a política habitacional do governo e ter maior participação nas decisões sobre habitação. Na linha - Entre as famílias que participam das ocupações estão crianças, velhos e mulheres grávidas. Todos têm de obedecer as instruções rígidas dos líderes, sob pena de serem expulsos do movimento - o que significa, na prática, ficar sem a perspectiva de ganhar uma moradia do governo estadual.
Conforme os dados da própria UMM, participam das ocupações moradores de área de risco ou que sofrem ação de despejo. Boa parte está desempregada. Entre aqueles que, durante o dia, deixam os locais invadidos para trabalhar estão perueiros
taxistas, pedreiros e até professores e policiais militares.

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