Presidente do TRT cobra ação do governo na área habitacional
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domingo, 31 de outubro de 1999
Por Alceu Luís Castilho 
São Paulo, 01 (AE) - O presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), Floriano Vaz da Silva, cobrou hoje dos governos estadual e federal mais agilidade na resolução dos problemas habitacionais. Ele visitou hoje a nova sede do TRT, em construção na Barra Funda, ocupada há uma semana pela União dos Movimentos de Moradia (UMM). Ele discursou para os sem-teto ao lado dos deputados federal e estadual Luiz Antônio de Medeiros (PFL-SP) e Henrique Pacheco (PT) e foi aplaudido.
Perguntado por moradores sobre até quando iam ficar no local
ele respondeu: "Até quando o governo faça a parte dele." "Que medidas concretas, e não promessas, sejam tomadas pelas autoridades do governo federal e estadual, para que essa situação provisória não se prolongue por muito tempo", disse Vaz da Silva.
O prédio em construção do TRT foi invadido há uma semana. Outros cinco prédios na cidade foram ocupados pela União dos Movimentos de Moradia (UMM). Somente em um deles, pertencente ao governo estadual, houve a imediata reintegração de posse.
Na semana passada, Vaz da Silva enviou ofício à Advocacia-Geral da União para que tome providências visando a reintegração da posse da nova sede do TRT. Hoje, ele disse aos moradores que fez isso por ser uma obrigação legal, que não o impede de ser solidário com a causa dos sem-teto. "Que vocês façam aquilo que têm direito, a luta pela moradia", disse no fim do discurso, antes de receber de Andrieli Priscila de Oliveira Campelo, de 7 anos, uma casinha feita de lápis e papel.
Sem verba - O presidente do TRT disse aos sem-teto que, a curto prazo, não há verba para a continuidade das obras do tribunal. Elas tornaram-se famosas após as denúncias de superfaturamento, investigadas na CPI do Judiciário no Congresso
envolvendo o ex-presidente do TRT Nicolau dos Santos Neto. "Sinto tristeza porque pessoas inescrupulosas, que já deveriam ter sido punidas, são responsáveis por isso", disse Vaz da Silva.
No sábado à noite, os ocupantes da sede de TRT promoveram um forró em homenagem ao juiz Nicolau, hoje aposentado: o "forró do Lau-Lau". Eles reivindicam verbas para a construção de 50 mil casas por mutirão, conforme promessa de campanha do governador Mário Covas (PSDB).
Na quarta-feira, em cerimônia no Palácio dos Bandeirantes, Covas criticou publicamente a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) e a própria secretaria de Habitação de seu governo pela lentidão na entrega de obras habitacionais.


