Rio, 05 (AE) - O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Antônio de Pádua Ribeiro, defendeu hoje a extinção do juiz classista, que, segundo ele, constitui "um sangradouro de verbas públicas". "Eles correspondem a dois terços da despesa do Judiciário paga com pessoal", criticou. "São resquícios do Estado Novo, de Getúlio Vargas, e o Brasil mudou muito de lá pra cá."
Os juízes classistas são vinculados à Justiça do Trabalho, mas não necessariamente bacharéis em direito. Indicados por sindicatos de patrões e empregados, têm mandato de três anos, renovável por mais três, e recebem salário equivalente a 70% dos ganhos de um juiz togado.
Ribeiro disse, no entanto, que a proposta do presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), de extinção dos Tribunais Superiores do Trabalho (TST) - ao qual estão vinculados os classistas - Militar e Marítimo, devem ser analisadas com "mais aprofundamento". O presidente do STJ foi diplomático ao responder aos ataques do senador, publicados na última edição da revista "Época", de que o Judiciário é, dos Três Poderes, o que mais sofre com a corrupção.
"Todas as críticas devem ser recebidas e analisadas", disse Ribeiro, que defendeu um debate nacional sobre a possibilidade de uma forma de controle externo da Justiça. O presidente do STJ foi duro contra a proposta da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), que marcou para o dia 17, uma paralisação nacional da categoria em protesto à demora na fixação do novo teto salarial do funcionalismo público. "Sou contra esta greve porque Judiciário não pode se demitir de sua função constitucional", criticou. "Ela atinge a credibilidade da Justiça." Ribeiro esteve hoje à tarde no Rio, onde participou da cerimônia de inauguração de mais um fórum da 2ª Região do Tribunal Regional Federal (TRF), cuja circunscrição abrange também o Espírito Santo. O fórum abrigará oito das 15 novas varas federais criadas para a 2ª Região, que serão especializadas em execução fiscal. A intenção é tornar ágil a tramitação das 115 mil ações ajuizadas no Rio, das quais a União espera receber um montante de R$ 4 bilhões.

mockup