Presidente do Paraguai deixa deputados da CPI esperando
Presidente do Paraguai deixa deputados da CPI esperando15/Mar, 18:49 Por João Naves de Oliveira Campo Grande, 15 (AE) - O presidente do Paraguai, Luiz Gonzalez Macchi, faltou hoje ao encontro que havia marcado com integrantes da CPI do Narcotráfico do Brasil. O encontro estava marcado para as 8 horas, na sede do governo federal em Assunção, quando seria firmado um convênio de cooperação entre o Brasil e o Denar (Departamento Nacional de Combate ao Narcotráfico da República do Paraguai) para o combate aos narcotraficantes que atuam nos dois países. Os parlamentares brasileiros saíram frustrados do Palácio do Governo sem firmar qualquer convênio. Eles foram informados apenas de que Macchi não poderia atendê-los hoje. Segundo o presidente da CPI, deputado Magno Malta (PTB-ES), "a saída será a formação de um centurão fechando as fronteiras de Brasil-Paraguai e Brasil-Bolívia para combater o tráfico de drogas". "Estamos assustados com a grande quantidade de entorpecentes, principalmente cocaína, que entra no Brasil através do Paraguai e da Bolívia. Essa situação não poderá permanecer", disse Malta. Sem esconder a frustração pela não realização do encontro, o deputado disse que não haverá mais acordos, pelo menos com as autoridades paraguaias. Segundo ele, a comissão só foi até Assunção, atendendo convite pessoal do próprio Gonzales. De Assunção, os parlamentares passaram por Campo Grande para realizar vários interrogatórios no fórum da cidade de Corumbá, no Pantanal, fronteira com a Bolívia. Em Campo Grande, os interrogatórios começaram por volta de 17 horas. Primeiro, foi ouvido o traficante Francisco de Assis, o "Joca", que está cumprindo pena de 13 anos de cadeia na Penitenciária de Corumbá. Assis está ligado a quadrilhas de narcotraficantes do Rio de Janeiro, principalmente ao grupo de Marcinho VP. Também o doleiro Jair Pontes, residente em Corumbá, foi ouvido pela CPI sobre as acusações de que financia narcotraficantes. O ex-proprietário do Hotel Nacional, um dos estabelecimentos cinco estrelas no município, João Batista de Sá, também acusado, não compareceu ao interrogatório de hoje. O deputado Moroni Torgan, relator da CPI, disse que o trabalho no Mato Grosso do Sul buscou tirar dúvidas sobre "uma considerável lista de suspeitos com envolvimento direto e indireto no narcotráfico, e a realização de algumas diligências". O deputado Waldenir Moka (PMDB/MS) afirmou que se houver necessidade a CPI será instalada no estado. Até o início da noite, não houve nenhum comunicado oficial do governo paraguaio para a ausência do presidente paraguaio à reunião com os membros da CPI.





