Brasília, 30 (AE) - O diretor-presidente do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Mário Santos, afirmou hoje que não houve negligência do órgão antes do blecaute ocorrido no dia 11 de março, que deixou 10 Estados e o Distrito Federal sem iluminação. "Todos os relatórios que fizemos foram aprovados e o ONS está tranquilo", afirmou Santos hoje. "Nossa responsabilidade foi profunda e largamente analisada por todos os órgãos do setor elétrico", disse Santos.
Segundo o presidente do órgão, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) atestou no início do mês de setembro que não houve responsabilidade do ONS no apagão. Santos argumentou ainda que a transferência de grandes blocos de energia entre os sistemas elétricos integrados é uma prática consagrada tecnicamente há anos, quando o ONS ainda era conhecido como Grupo Coordenador de Operações Interligadas (GCOI), que pertencia do Sistema Eletrobrás.
"A otimização do sistema elétrico é uma obrigação do ONS prevista em lei", afirmou Santos. Diariamente o operador monitora o nível hidrológico das bacias hidrográficas brasileiras. Segundo Santos, quando se verifica muita quantidade de chuva em determinada região e estiagem em outra, a carga de geração é transferida para evitar danos ao sistema elétrico.
Ele estranhou também a iniciativa do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura de São Paulo (Crea/SP), de abrir uma investigação sobre o incidente. "Não conheço fato anterior que tenha levado o Crea a fazer este tipo de investigação", disse Santos, que também criticou o procedimento do órgão. "Em momento algum o Crea de São Paulo chegou a nos perguntar sobre nossa programação", disse Santos, referindo-se às providências de transferência dos blocos de energia na véspera do blecaute.

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