Lisboa, 14 (AE) - O grupo Jerônimo Martins, proprietário da cadeia Sé de supermercados, discutiu por várias vezes a fusão com o grupo português Sonae, que hoje possui a terceira maior cadeia de supermercados do Brasil. A revelação foi feita numa entrevista do presidente do grupo Jerônimo Martins, Alexandre Soares dos Santos, ao semanário português Expresso, publicada ontem (13). Na entrevista, é atacada a política econômica brasileira.
Segundo Santos, a fusão apenas não se concretizou devido aos receios do governo português de que um grupo excessivamente forte poderia ser um perigo para o mercado. Em Portugal, os dois grupos ocupam os primeiros lugares no ranking de supermercados e uma aliança faria com que tivessem mais de 50% do setor.
Sobre o Brasil, Santos criticou o governo afirmando que falta ao país provar que é um lugar onde se pode ter não apenas crescimento sustentado como lucro sustentado. "Os políticos estragaram aquilo tudo, e nós arriscamo-nos a estar estes meses sem ver nada."
Entre as avaliações do mercado brasileiro, Santos ressalta que é um país onde a fuga aos impostos é brutal. "A fuga aos impostos gera corrupção. O que eu fiz foi limpar tudo, pôr as coisas em ordem, substituir todas as pessoas que estavam habituadas a comer os 5% por trás".
Sobre o crescimento no mercado brasileiro, disse que foi brecado por causa da desvalorização. Santos pretende primeiro ver onde o país vai parar, porque crescer no Brasil é muito arriscado. Ele afirmou que chegou a discutir a compra do grupo Muffatão, do Paraná, que foi adquirido pela Sonae, mas o preço era excessivo.
Sobre a queda dos lucros da empresa, que gerou uma descida de 26,5% no valor das ações da Jerônimo Martins na bolsa de Lisboa, Santos justificou dizendo que é resultado de um problema informático na Polônia, país em que o grupo é o primeiro na área de supermercados e atacados. O programa instalado teve um erro e todos os arquivos com preços e controle de pagamentos foram perdidos, o que gerou uma ruptura nos fornecimentos à empresa.
Segundo Santos, o próximo passo da internacionalização da Jerônimo Martins é a abertura de supermercados na Espanha. Para isso, o grupo encontra-se em discussão com o grupo norte-americano Ahold para uma parceria no mercado espanhol.

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