Presidente do IBS diz que barreiras dos EUA não prejudicam setor
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2000
Por Cláudia Dianni 
Brasília, 15 (AE) - As barreiras impostas pelos Estados Unidos às exportações de aço do Brasil não prejudicam o desempenho exportador do setor, de acordo com o presidente do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS) e da Belgo Mineira, Antônio José Polanczyk. "O volume das exportações atingido pelas barreiras americanas não é impactante, mas inibe a expansão das exportações e o aumento da competitividade do setor", disse. De acordo com os números do IBS, o protecionismo americano no ramo siderúrgico atinge cerca de 6% das exportações de lâminados.
O setor siderúrgico brasileiro exporta aço semi-elaborado (componentes de aço intermediários utilizados para a fabricação de outros produtos) e aço bruto (que podem ser laminados a frio, a quente, longo, em barras ou em chapas). A primeira categoria é responsável por cerca de 60% das exportações brasileiras do setor e não encontra barreira em nenhum mercado, de acordo com Polanczyk. No ano passado, foram exportados 9,852 milhões de toneladas de produtos siderúrgicos, dos quais 6,378 milhões de toneladas eram de semi-elaborados.
Os Estados Unidos absorveram 20% do total das exportações em 1999 e, embora ainda sejam o principal mercado do Brasil para os produtos siderúrgicos, não concentram as exportações. Segundo Polanczyk, as vendas de aço do Brasil estão pulverizadas em vários mercados. "As dificuldades geradas pelas barreiras americanas podem ser contornadas direcionando as vendas a outros mercados", disse Polanczyk. O problema, na opinião do empresário, não é esse, mas o fato de o governo americano impedir que o Brasil tire proveito da competitividade do setor. "O que irrita é que barram a nossa capacidade de competir em produtos de valor agregado", desabafou.
Essa estabilidade das exportações de aço, porém, está ameaçada por um decreto assinado na sexta-feira pelo presidente Bill Clinton. O decreto cria dificuldades também para aquela categoria de aço que até agora não encontrava barreiras. Para inibir as importações e salvar quatro mil empregos nas siderúrgicas americanas, conforme consta do decreto assinado pelo presidente americano, os Estados Unidos vão começar a sobretaxar as importações de fio-máquina (utilizados para fabricar, por exemplo, parafusos, alfinetes, palhas de aço, molas, entre outros utensílios).
Segundo consta do decreto, fio-máquina importado de qualquer mercado, com exceção de México e Canadá, será sobretaxado em 10% quando ultrapassar a cota de 1,58 milhão de toneladas. O Itamaraty, porém, ainda não tem certeza se as exportações brasileiras serão afetadas. A Casa Branca poderá excluir da decisão países responsáveis por quantia limitada de exportação do produto, ainda a ser estipulada. No ano passado, o Brasil exportou 183 mil toneladas de fio máquina aos Estados Unidos, que correspondem a cerca de US$ 48 milhões preço Fob (excluído o valor do frete).


