Presidente do FonteCindam confirma contato com Lopes
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quarta-feira, 14 de abril de 1999
Por Eliane Azevedo 
Rio, 15 (AE) - O presidente do Banco FonteCindam, Luiz Antonio Gonçalves, confirmou hoje que, entre os dias 13 e 14 de janeiro, conversou pelo telefone com o então presidente do Banco Central, Francisco Lopes, para resolver os problemas da instituição com as mudanças no limite da banda cambial. "Ele remeteu a discussão do assunto para o diretor de fiscalização, Claudio Mausch", contou. Gonçalves garantiu que nem ele nem qualquer diretor ou funcionário do FonteCindam foram a Brasília para tratar do assunto.
Segundo o presidente do banco, a decisão de procurar a ajuda do Banco Central foi de toda a diretoria e não do diretor Eduardo Modiano. "Ele nem estava no Brasil", disse. "Procuramos o Banco Central e outros parceiros de mercado." Embora tenha garantido não saber se a ajuda ao FonteCindam foi uma decisão unânime do colegiado do BC, Gonçalves, que já foi diretor do Banco Central, afirmou que esse tipo de assunto costuma ser definido por consenso. "Não conheço voto em separado na tradição do Banco Central", apontou.
A operação realizada hoje no FonteCindam pela Polícia Federal, a pedido do Ministério Público Federal do Rio, pegou o presidente do banco de surpresa. "Não tive acesso aos autos desse processo do Ministério Público", afirmou. Gonçalves, que falou com a imprensa no início da noite, disse não ter ainda informações sobre quais documentos foram levados pelos agentes. A PF deixou ainda uma armário de disquetes lacrado, para ter seu conteúdo copiado e levado amanhã (16).
Depoimento - Uma equipe do departamento de fiscalização do Banco Central no Rio esteve hoje também na sede do FonteCindam, mas, segundo Gonçalves, tratou-se apenas da continuação de uma vistoria de rotina.
Ele confirmou ter prestado depoimento ontem (14), em Brasília, para a comissão de sindicância instalada pelo Banco Central para investigar a operação de socorro ao FonteCindam e Banco Marka. "Eu, Eduardo Modiano e Fernando Carvalho estivemos lá e basicamente dissemos o mesmo que no depoimento à Polícia Federal", contou. Gonçalves disse não ter recebido ainda nenhuma convocação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bancos.
Ele reafirmou que o banco vai interpelar judicialmente o dono do Banco Marka, Salvatore Alberto Cacciola, para que confirme as declarações a ele atribuídas na reportagem da revista Veja. O presidente do FonteCindam disse que as negociações de venda das áreas de administração de recursos, corporativa e a corretora do banco para o BNP não foram prejudicadas pelas denúncias de favorecimento à instituição. Ele garantiu que falta apenas a assinatura do contrato definitivo e lembrou que a operação não envolve os negócios do banco.


