Rio, 23 (AE) - O presidente do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea-RJ), José Chacon de Assis, criticou, hoje, durante reunião com ex- moradores do Palace 2, a conclusão do laudo oficial sobre o desabamento do prédio, ocorrido há um ano, na Barra da Tijuca. O parecer oficial aponta erro de cálculo estrutural como causa da tragédia em que morreram oito pessoas, hipótese que pode livrar o ex-deputado Sérgio Naya, dono da Sersan, construtora do prédio, de um processo criminal.
"As análises apresentadas pelo laudo estão corretas, mas a conclusão está errada", afirmou. "A maior parte do erro ocorreu na execução da obra, onde deveria ter sido questionado o projeto", disse Assis no encontro em que se discutiu um outro laudo, preparado por peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE), e anexado ao inquérito policial que apura o acidente. A intenção dos ex-moradores é obter uma contestação formal do laudo oficial.
Um dos argumentos apresentados por eles foi a reportagem "Laudo ignora hipótese de especialistas", publicada ontem no jornal "O Estado de S.Paulo", que apresentava um relatório preparado por dois professores da Pontifícia Universidade Católica do Rio (PUC- RJ), chamados pelo ICCE para fazer a análise técnica que balizou o laudo. Erros - O relatório conclui que, além do erro de cálculo, dois erros de execução da obra foram responsáveis pelo desabamento, o que envolve diretamente o responsável pela obra, que, segundo o registro do Crea, foi o engenheiro Sérgio Naya. "Agora teremos base para desmascarar os peritos do ICCE ", afirmou o físico Ruy Feital, ex- morador do Palace 2.
A diretoria do ICCE admite que houve erro na execução da obra, mas afirma que este não seria determinante para o desabamento. Registro - Segundo o presidente do Crea, a Sersan, que teve o registro cassado cinco dias após queda de parte do Palace 2, solicitou um novo registro em novembro do ano passado. O advogado da construtora, Jorge Luiz de Azevedo, afirmou que a medida partiu de uma exigência da prefeitura. Segundo Azevedo, não está nos planos de Naya construir novos prédios com a Sersan.
Protesto - A manifestação programada por ex-moradores do Palace 2 para o próximo dia 28 - quando completa-se um ano da implosão do prédio - em Orlando (EUA), está ameaçada. Até hoje eles só haviam conseguido a doação de uma passagem aérea.
O abaixo-assinado que será enviado ao Congresso Nacional pedindo que Naya torne-se inelegível por prezo indeterminado está com sete mil assinaturas - o ex-deputado teve o mandato cassado no ano passado, tornando-se inelegível por oito anos.

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