Rio, 29 (AE) - Em encontro hoje, no Rio, com o primeiro-ministro da Espanha, Jose María Aznar, o presidente do Chile, Eduardo Frei, citou "razões humanitárias", como a saúde debilitada e a idade avançada do ex-ditador chileno Augusto Pinochet, para pedir a libertação dele.
Mas, apesar das conversas mantidas entre líderes chilenos, espanhóis e ingleses, durante a Cimeira, não se chegou a uma solução para a situação de Pinochet, detido em Londres desde outubro, a pedido da Justiça espanhola.
"Não se trata de uma questão política", afirmou hoje Aznar. "Trata-se de respeito à decisão judicial." O ministro das Relações Exteriores do Reino Unido, Robin Cook, também afirmou que a decisão sobre a situação do ex-ditador está nas mãos da Justiça. "A questão do pedido de extradição deve ser discutida com as autoridades espanholas", esquivou-se Cook, que teve um encontro, no domingo (27), com o ministro das Relações Exteriores do Chile, Gabriel Valdez, para tratar do assunto.
"Estamos apenas respeitando o acordo de extradição que temos com a Espanha e não cabe ao governo interferir num processo judicial." Cook destacou que os líderes do governo não têm poder de interferir na decisão do tribunal, mas lembrou que, se em setembro a Justiça decidir acatar o pedido de extradição, o assunto vai para as mãos do Ministério do Interior. "Ele terá competência de avaliar pedidos de liberdade por razões humanitárias", afirmou. "Mas essa decisão não será política." O presidente do Chile, no entanto, está otimista e acredita que Pinochet estará de volta ao país antes do fim do ano, quando se realizam as eleições presidenciais. "Vamos manter nossa pressão sobre as autoridades espanholas e britânicas por que o que estamos pleiteando é o respeito a nossa soberania", disse Frei.

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