O Conselho Federal de Medicina (CFM) proibiu esta semana, por meio da resolução 2.126/2015, que médicos usem redes sociais para publicar selfies em situações de trabalho. Além dos autorretratos de procedimentos médicos, os profissionais não poderão fazer uso de imagens de "antes e depois", usadas por especialistas que fazem intervenções estéticas.
O presidente do CFM, Carlos Vital Tavares Corrêa Lima, esteve ontem em Londrina como palestrante do 2º Encontro Científico de Medicina, organizado pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR). Ele comentou as normas que ainda serão publicadas no Diário Oficial da União. "Conselheiros em mídias sociais constataram excessos na exposição de pacientes. A intimidade da relação médico paciente é um direito constitucional à privacidade, além de ser uma questão ética. Os médicos têm que manter um sigilo, uma confidência na sua atividade profissional", destacou.
Para ele, os selfies, além de exporem a intimidade do paciente, podem ser sensacionalistas e promover indevidamente o médico. As novas regras determinam ainda que os médicos não vão poder fazer propagandas de produtos e empresas, assim como de técnicas não reconhecidas pelo CFM.
Outra ação que está na mira do conselho é o uso das redes sociais para a divulgação de profissionais a partir de elogios de pacientes. Segundo Emmanuel Fortes, diretor de Fiscalização do CFM, "descobrimos que pacientes faziam reiterados agradecimentos aos médicos, mas era um acordo entre médico e paciente para divulgar e angariar clientela". Em entrevistas, os médicos não deverão divulgar endereço e demais contatos do local de trabalho.
Segundo Fortes, a proibição do "antes e depois" pretende proteger o paciente de técnicas que podem trazer resultados inesperados. "O médico não pode garantir resultados. O paciente precisa saber que nem sempre vai ter aquilo que o ‘antes e depois’ induz, principalmente em procedimentos estéticos e dermatológicos."
Casos de fotografias durante cirurgias e após partos motivaram a mudança. "Teve a imagem de um profissional segurando um bebê e, ao fundo, a mãe na posição de parto e com o cordão umbilical ainda nas partes íntimas. Isso viola a intimidade e temos de garantir isso aos pacientes."

MAIS MÉDICOS


O presidente do CFM aproveitou para comentar sobre o Programa Mais Médicos, do governo federal, que trouxe profissionais de outros países para suprir a falta de efetivo em regiões distantes de grandes centros. Lima mencionou um relatório do Tribunal de Contas da União (TCU), de março, o qual apontou que 49% dos municípios atendidos pelo Mais Médicos perderam profissionais. "O governo usa dados de queda do número de doentes nessas localidades, mas não divulga a metodologia. Isso não é uma pesquisa científica, é propaganda." À época, o Ministério da Saúde contestou o relatório dizendo que os dados do TCU estariam desatualizados.
Para Lima, "nós temos um número de vagas perigosamente maior do que aquilo que é necessário, projetando uma relação per capita excessiva e absurda de médicos no País. É um caos em relação à prática médica futura, porque a qualidade não é preservada. Há um excesso de escolas médicas sem qualidade que foram autorizadas no País", criticou. (Com Agência Estado)

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