Rio, 28 (AE) - O presidente do Conselho Empresarial da América Latina (Ceal), Roberto Teixeira da Costa, fez hoje um "mea culpa" sobre a apatia, desinteresse e falta de agressividade do empresariado brasileiro em relação às negociações comerciais multilaterais das quais o Brasil participa ou participará.
De acordo com Costa, também representante brasileiro no Fórum Empresarial Mercosul/União Européia, um dos grandes desafios da sociedade civil é tomar a iniciativa para apresentar propostas que permitam obter benefícios ao País. "Eu não senti isso até agora; e isso pode modificar nossas vidas numa dimensão que até agora não nos demos conta", afirmou o empresário.
Costa e o presidente da Câmara de Comércio Brasil-Alemanha, Ingo Ploeger, entregaram ao presidente Fernando Henrique Cardoso e ao chanceler alemão, Gerhard Schorder, um documento com as principais preocupações do setor privado brasileiro sobre as futuras negociações comerciais entre o Mercosul e a UE. "É bom não esquecer a necessidade de fortalecer o Mercosul, que presisa estar com as arestas aparadas para iniciar essas negociações", acrescentou.
Ele lamentou que, neste momento, Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai não estão "vivendo mais uma lua-de-mel" e de realizações, mas uma fase de pendências que podem prejudicar o futuro do bloco. O presidente da Argentina, Carlos Menem, disse que a desvalorização do real poderia ter provocado, num primeiro momento, uma desestabilização do Mercosul. Mas, acrescentou Menem, não ocorreu.
"Precisamos ter cuidado nessas negociaçãos com a União Européia porque, com certeza, não teremos uma almoço de graça", alertou o presidente da Ceal. O empresário "isentou" os países europeus de "serem responsáveis", em parte, pelo desempenho fraco das exportações brasileiras, mesmo depois da desvalorização do real. "Eu não daria um peso excessivo às barreiras comerciais impostas sobre nossos produtos, mas à falta de visão exportadora de nosso empresariado", disse Costa.
Entre outros fatores que têm prejudicado a balança comercial brasileira, Costa citou a forte queda dos preços das commodities no mercado internacional e o reduzido finaciamento às exportações. O presidente da Ceal disse também que os empresários brasileiros temem mais a criação de uma zona de livre comércio com a área de Livre Comércio da América do Norte (Nafta) do que com a UE. "Na minha opinião, acredito que a proximidade geográfica e a agressividade exportadora dos Estados Unidos provocam esse temor", disse Costa.

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