Presidente do Cade rebate denúncias
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segunda-feira, 31 de janeiro de 2000
Por Hugo Marques e Mariângela Gallucci 
Brasília, 31 (AE) - Às vésperas de julgar uma das maiores fusões empresariais brasileiras, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) é acusado de uma série de irregularidades. A Polícia Federal (PF) investiga denúncia de que teria ocorrido tentativa de suborno a integrantes do Cade com o objetivo de evitar a aprovação da fusão entre a Brahma e a Antarctica.
O Ministério Público Federal instaurou um procedimento administrativo para apurar se houve irregularidade no contrato de locação de um prédio onde deverá ser instalada a nova sede do órgão. Outra notícia veiculada no fim de semana foi de que consultores ligados ao escritório de um irmão do presidente do Cade, Gesner Oliveira, estariam preparando um parecer favorável à criação da AmBev. Com o tom de voz alterado, o presidente do Cade repudiou as notícias veiculadas nos últimos dias contra o Cade. Segundo Oliveira, elas representam uma "verdadeira orquestração" contra o órgão.
O presidente do Cade confirmou que a conselheira Hebe Romano foi procurada por um advogado que se manifestou preocupado com a existência de tentativas de influenciar votos no julgamento da AmBev. Segundo fontes do Ministério da Justiça, Hebe Romano teria informado, em seu depoimento, que havia sido procurada por um advogado. Ele afirmava ter notícias de que outros dois conselheiros do Cade já haviam sido subornados para votar contra a fusão, e ela seria a peça que faltava para concretizar os interesses da empresa. A Polícia Federal já colheu o depoimento da conselheira, mas prefere não divulgar nomes e quer manter a investigação em sigilo.
Apesar de o contato ter ocorrido em meados de dezembro, o fato foi comunicado ao ministro da Justiça, José Carlos Dias, apenas neste mês. Segundo Oliveira, a demora deveu-se, entre outros motivos, ao fato de o Cade estar em recesso entre os dias 15 de dezembro e 19 de janeiro. A demora para comunicar o ministro e a PF causou estranheza em técnicos do Ministério da Justiça.
Sobre a locação do prédio para a nova sede do Cade, Oliveira afirmou que a notícia é absurda. "Havia um parecer do procurador-geral do Cade atestando a absoluta transparência no procedimento", disse o presidente do órgão. Ele também se disse surpreso com a divulgação de uma nota na imprensa de que consultores ligados ao escritório de seu irmão Fernando estariam preparando um parecer favorável à fusão da Antarctica com a Brahma.


