Presidente do BNDES diz que governo teve objetivo de fazer uma boa venda
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terça-feira, 25 de maio de 1999
Por Gustavo Alves 
Rio, 25 (AE) - O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), José Pio Borges, afirmou hoje que a atuação dos responsáveis pelo leilão da empresa Telecomunicações Brasileiras (Telebrás) teve o objetivo de "fazer uma boa venda".
Para Borges, que foi homenageado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) na comemoração do Dia da Indústria, na Praça Mauá, no centro da capital fluminense, a grande questão no caso é saber porque as conversas grampeadas sobre o leilão das telefônicas "voltaram à tona neste momento".
O presidente do BNDES recusou-se a arriscar qualquer hipótese sobre o motivo da divulgação das fitas. "Não sei quem fez estas gravações e nem quero saber mais", afirmou. Ele disse não se lembrar que o presidente Fernando Henrique Cardoso tivesse autorizado o uso do próprio nome para forçar a Previ a se associar ao Opportunity na formação dos consórcios participantes do leilão.
Borges, na época do leilão, vice-presidente do banco, também declarou não se recordar de nenhuma conversa na qual tivesse pregado que os fundos Sistel, da Empresa Brasileira de Telecomunicações (Embratel), e Telos, da Telebrás, fossem considerados privados para burlar as regras de formação dos consórcios participantes da privatização.
"O que havia era uma restrição a que os fundos de previdência tivessem mais de 25% dos consórcios, e isso foi obedecido", afirmou Borges, lembrando que o controle sobre a composição dos grupos era função da Câmara de Liquidação e Custódia (CLC) da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro (BVRJ). "Esta regra foi cumprida", lembrou.
"Isso tudo é gravação ilegal, não vou comentar", criticou o presidente do BNDES. Ele afirmou não ter nada a esconder. Borges lembrou que, depois da primeira divulgação de conversas gravadas ilegalmente no BNDES, ele saiu do governo e só voltou à instituição porque foi chamado. O presidente do banco disse não pensar em sair novamente, mas lembrou que, como ocupa um cargo público, tem de estar preparado para a possibilidade de o deixar "no dia seguinte".
No discurso que fez na cerimônia, o presidente da Firjan
Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, acusou empresários instafisfeitos com a conduta "ímpar" do governo e do BNDES de usar a imprensa para fazer denúncias que prejudicam o País. "Temos de entender que o presidente, tendo feito isto, fez para o bem, não para o mal", afirmou Vieira, ao comentar as suspeitas de que Fernando Henrique tivesse autorizado o uso do próprio nome para pressionar a Previ a se unir ao Opportunity. Para Vieira, a "elite" brasileira - na qual ele incluiu os jornalistas - não deveria "confundir" a população, levantando suspeitas sobre o presidente. "Senão, coitado do povo, que já está inseguro", defendeu. Segundo o presidente da Firjan, se não tivesse havido o leilão da Telebrás, a situação econômica do País estaria muito pior do que está hoje.


