Washington, 23 (AE-DOW JONES) - O Banco Mundial não prestou atenção suficiente às condições sociais e políticas que prevaleciam na ásia e na Rússia antes de essas regiões entrarem em crise. A afirmação é do presidente do Banco Mundial, James Wolfensohn, em carta a funcionários da instituição.
Para ele, "a privatização, antes do estabelecimento de um quadro regulador e de concorrência, pode ser uma receita para o desastre. Nós sabemos, pelo menos olhando para trás, que parte do fracasso na Rússia resultou de prestar pouca atenção às precondições necessárias a uma economia de mercado. Muitas vezes, no passado, nós fomos atrás dos alvos fáceis, dizendo que podíamos atacar as questões mais difíceis mais tarde".
Assim como o FMI, o Banco Mundial sofreu fortes críticas por suas práticas de concessão de créditos desde as crises na ásia e na Rússia. As duas instituições internacionais chegaram a trocar farpas; o Banco Mundial culpou o FMI por agravar a crise asiática, ao exigir dos países atingidos que cortassem gastos e elevar as taxas de juro. O FMI, por sua vez, acusou o Banco Mundial de emprestar bilhões de dólares a países claramente incapazes de beneficiar-se dos créditos, mesmo quando a instituição sabia que o dinheiro estava sendo desviado por funcionários governamentais corruptos.
"Temos evidências significativas e recentes, da ásia e de outroas partes do mundo, de que qualquer país e região está em risco, a não ser que tenha um sistema financeiro bem organizado, auditorado e supervisionado", afirmou Wolfensohn.
Ele acrescentou que "a corrupção é o aspecto mais corrosivo do desenvolvimento e deve ser combatida sistematicamente em todos os níveis".

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