Brasília, 07 (AE) - O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, anunciou hoje a investidores dos Estados Unidos reunidos em seminário no Itamaraty que os investimentos diretos no Brasil este ano totalizarão US$ 26 bilhões e serão suficientes para financiar o déficit em transações correntes. A última estimativa feita pelo BC para os investimentos diretos havia sido de US$ 25 bilhões. De acordo com Fraga, por serem de longo prazo, estes recursos são os mais adequados para financiar o déficit em transações correntes (operações de comércio e serviço que o País realiza com o exterior).
Fraga disse que hoje o País praticamente não tem recursos externos de curto prazo. Mas garantiu que o governo brasileiro não tem qualquer intenção de restringir a entrada destes capitais. Segundo destacou, estes recursos funcionam como uma espécie de colchão para o amortecimento de variações externas. Ele afirmou que, por ter trabalhado com a aplicação de capitais de curto prazo quando estava no Fundo Quantum, do grupo de George Soros, sabe que não se pode confiar nestes recursos para o financiamento das transações correntes. "É mais adequado financiar o déficit em transações correntes com investimento direto", assegurou.
No seminário para os investidores americanos que também teve a presença do ministro da Fazenda, Pedro Malan, o presidente do BC salientou que a grande preocupação do País hoje é a dívida doméstica, pois segundo ele, considerando o cenário externo, não há grandes vulnerabilidades que ameacem o Brasil. Mesmo assim, Fraga garantiu que o governo brasileiro "não está totalmente descontraído". E disse que "ainda é cedo para comemorar vitória".
Voltando ao aspecto interno, ele disse o governo está conseguindo alongar o prazo de vencimento de sua dívida. Mas destacou que ainda é necessário ficar atento à questão fiscal. O presidente do BC garantiu ainda aos investidores americanos que está confiante na recuperação da economia brasileira "porque o setor privado é dinâmico e tem bom sistema gerencial".
Segundo Fraga, a desvalorização do real, feita em janeiro, começa a mostrar seus efeitos. E disse que "não há registro na história de País que tenha desvalorizado a sua moeda em 20% ou 30% e não tenha recuperado as exportações". Na avaliação do presidente do BC, a recuperação não tem sido maior porque há recessão nos países vizinhos. Mas salientou estar confiante na recuperação da economia Argentina.
No mesmo seminário, o diretor de Política Econômica do BC, Sérgio Werlang, repetiu que não é intenção do País impedir a entrada de capital de curto prazo. Mas destacou que para evitar uma superexposição à variação da taxa de câmbio, é necessário ter uma regulamentação "sábia" para o setor bancário que é o intermediário das transações em moeda estrangeira.

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