Porto Alegre, 15 (AE) - O presidente do BankBoston no Brasil, Geraldo Carbone, disse hoje que confia em uma redução "gradual e contínua" das taxas de juros finais no País. Na opinião dele, os quatro fatores principais que interferem no custo do dinheiro, que incluem a taxa básica Selic, o risco de inadimplência, a "cunha fiscal" e a disponibilidade de recursos começam a emitir "bons sinais", o que deve ampliar a demanda por crédito.
"Vamos acompanhar o movimento", disse o presidente de um dos maiores bancos estrangeiros em operação no Brasil, com ativos próximos de US$ 10 bilhões e empréstimos totais de US$ 2 4 bilhões. Segundo ele, a instituição deverá reduzir suas taxas entre um ponto percentual, no caso de crédito pessoal com garantia, e 2,5 pontos no cheque especial.
O executivo explicou que o BankBoston não opera com uma tabela fixa de juros, mas com taxas diferentes para cada produto e cada cliente. As carteiras de financiamento pessoal e cartão de crédito do banco, que englobam basicamente os tomadores pessoa física, somam atualmente entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões, explicou.
De acordo com Carbone, a taxa Selic (atualmente em 19,5% ao ano), que funciona como "piso" do mercado financeiro, voltou a uma trajetória declinante desde janeiro, favorecendo a queda dos juros nos bancos. Ele também vê uma diminuição no risco de inadimplência em função das perspectivas futuras de recuperação, ainda que discretas, da economia.
A redução dos compulsórios sobre os depósitos à vista e a prazo, recentemente anunciada pelo Banco Central, e a perspectiva de uma reforma tributária que atenue a "cunha fiscal" no médio prazo são outros fatores positivos, avaliou o presidente do BankBoston.

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