São Paulo, 14 (AE) - "Não posso adivinhar o que farão os conselheiros do Banco Central, mas, se eu estivesse lá no Copom, não mexeria em nada, nem nos juros nem no viés". A declaração, do presidente do BankBoston, Geraldo Carbone, resume o clima no mercado financeiro para a reunião de amanhã do Comitê de Política Monetária (Copom).
Com Carbone concordam os economistas dos bancos estrangeiros ING Barings e Lloyds Bank. Para Mauro Schneider, do ING, o mercado todo está esperando juros inalterados. "Embora haja sinais de que a inflação seja temporária, ainda não há dados suficientes para uma tranquilidade que permita reduzir os juros", diz Schneider. Para Odair Abate, economista chefe do Lloyds Bank, a expectativa é de manutenção dos juros em 19% e viés neutro, embora o economista não fique surpreso se houver uma mudança de viés. Abate lembra que o melhor seria não fazer nada agora, até porque em dezembro, pela forte variação sazonal da economia, é difícil interpretar os indicadores. A expectativa de Abate é que a tendência de redução dos juros possa ser retomada no primeiro trimestre do ano que vem.
Crescimento- O BankBoston prevê um crescimento de apenas 2,5% do PIB para o próximo ano, e discorda da previsão de crescimento de 4% feita pelo governo. "Não há condições para crescer os 4% previstos pelo governo - teríamos que crescer muito o nível de investimentos ou ter uma oferta de crédito abundante", disse hoje o presidente do BankBoston, Geraldo Carbone.
Para Carbone, um crescimento de 4% seria muito alto no ano que vem, e seria mais saudável crescer 2,5%, sem "políticas de stop and go". Carbone não está preocupado, entretanto, com a aceleração da inflação. Na sua opinião, a alta dos preços é transitória, originada de choques de oferta e não de aumento de demanda.

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