Brasília, 21 (AE) - Em depoimento ao Ministério Público Federal (MPF), o presidente da Federação Paulista de Karatê Point, Sebastião Leonel Pereira, e o assessor dele Eduardo de Souza Lima denunciaram hoje que foram vítimas de uma tentativa de extorsão dentro do Instituto Nacional do Desenvolvimento do Desporto (Indesp), órgão do Ministério do Esporte e do Turismo. Segundo os depoentes, o coordenador da Coordenação Geral de Credenciamento, Autorização e Fiscalização (Cocaf), Manoel Abrahão Lemos Neto, propôs que pagassem R$ 20 mil para a liberação de exploração de um bingo permanente.
Pereira e Lima disseram ao procurador Regional da República Oswaldo José Barbosa Silva que foram ao Indesp em 17 de janeiro para buscar o certificado de credenciamento de bingo em nome da federação, quando foram informados por Lemos Neto que o documento não estava pronto. Os dois disseram que procuraram o presidente do Indesp, Augusto Viveiros, e este determinou a Lemos Neto que solucionasse o caso. Segundo eles, Viveiros chamou Lemos Neto de "incompetente" por não ter solucionado a questão antes.
Os dois depoentes disseram que, em seguida, saíram da sala de Viveiros e encontraram Lemos Neto no corredor do Indesp, quando este propôs "a entrega de R$ 20 mil a ele e, assim, o documento sairia na hora". Pereira e Lima citam no depoimento o nome de uma terceira testemunha, que estava no local na hora da tentativa de suborno.
Pereira e Lima disseram ao procurador que ficaram indignados com a proposta e tiveram uma intensa discussão com o coordenador da Cocaf. Os dois depoentes informaram ao Minsitério Público que, no momento da tentativa de suborno, disseram a Lemos Neto que, posteriormente, iriam à Procuradoria da República e à Polícia Federal (PF) para denuncar a tentativa de suborno e que Lemos Neto respondia: "Pode ir, pode ir." Eles disseram que, no momento em que estavam se retirando do Indesp, um funcionário chamou-os de volta e Lemos Neto informou, em tom de "ironia", que o certificado de autorização estava pronto desde 23 de dezembro.
Segundo os dois depoentes, Lemos Neto pediu, na ocasião, uma lista de novos documentos a serem apresentados para a liberação do certificado.
Pereira e Lima disseram ter retornado ao Indesp dia 11, apresentaram a documentação exigida, mas que o Lemos Neto "informou que havia sido modificada a lista de exigências". Eles disseram que, mesmo indignados com tudo, cumpriram as novas determinações, mas entregaram a documentação para outra chefia do Indesp.
Depois de entregar os documentos, disseram ter encontrado novas dificuldades para conseguir o certificado. Segundo eles, a documentação foi remetida para a Procuradoria-Geral do Indesp, onde Lemos Neto compareceu e continuou "questionando a veracidade" da documentação apresentada. Os depoentes disseram que, novamente, aos gritos, disseram ao coordenador que não lhe dariam os R$ 20 mil. Os depoentes disseram ter conseguido o certificado, depois da análise da Procuradoria-Geral do Indesp. A presidência do Indesp foi informada hoje sobre a denúncia envolvendo um coordenador do órgão. Viveiros convocou uma reunião no início da noite com Lemos Neto e os funcionários do setor. Até as 20h30, Lemos Neto e Viveiros não se pronunciaram sobre o caso. O depoimento de Pereira e Lima deverá ser enviado à PF para ser anexado a um inquérito que apura corrupção envolvendo servidores do Indesp.

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