Rio, 2 (AE) - O presidente de Furnas, Luiz Carlos Santos
quer transformar a estatal na "Petrobras do setor de energia elétrica" nos próximos anos. A intenção é aumentar o número de parceiras com empresas privadas, viabilizando investimentos antes limitados pela falta de recursos do governo federal.
Segundo Santos, o projeto é compatível com a privatização da empresa, prevista para o ano 2000. "Não vamos ficar parados enquanto se estuda o modelo de venda da estatal." Para Santos, as parcerias valorizam os ativos da companhia e, consequentemente, o interesse dos investidores na hora da privatização de Furnas.
A empresa espera fechar, nos próximos sete anos, parcerias que viabilizem o investimento de US$ 11 bilhões no setor, sendo US$ 8 bilhões na área de geração e US$ 3 bilhões no segmento de transmissão. "O crescimento da oferta de energia do País vai contribuir também para a redução dos preços das tarifas", disse Santos. Hoje, Furnas fechou um acordo de cooperação técnica com quatro empresas estrangeiras para estudar um modelo que eleve o suprimento de energia elétrica para a região Sudeste, a partir de 2004. O acordo prevê a construção de uma linha de transmissão de 2.300 quilômetros, pelo qual usinas térmicas a gás natural brasileiras utilizarão energia gerada na Bolívia.
O convênio foi assinado com a americana Cobee Energy Development, a japonesa Nissho Iwai Corp., a argentina Pan American Energy e a boliviana ICE Ingenieros. Os estudos previstos no acordo vão definir até maio do ano que vem o percurso a ser construido entre a Bolívia e o Brasil.
O investimento total do projeto está orçado em US$ 2,5 bilhões, sendo que as companhias estrangeiras vão entrar com US$ 1,5 bilhão e a participação brasileira será de US$ 1 bilhão. Santos pretende obter os recursos por meio de novas parceiras com a iniciativa privada.

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