Rio, 01 (AE) - O presidente do Conselho de Administração da Varig, Walterson Caravajal, informou hoje que a necessidade de aumentar o corte de gastos para melhorar a situação financeira da empresa motivou a recomendação unânime dos conselheiros em pedir a saída do presidente da companhia, Fernando Pinto. Segundo ele, a empresa teria como economizar mais US$ 250 milhões em suas despesas.
"Não foi briga de poder", disse Caravajal, rejeitando a versão apresentada por Pinto à revista "Veja" desta semana. "O Fernando sentiu que havia um desejo de substituir por substituir, e não foi o caso", afirmou.
Segundo ele, o conselho sugeriu a destituição do atual presidente depois de alertar há tempos que era preciso maior redução de despesas. A assessoria de imprensa da Varig informou que Pinto recusa-se a comentar publicamente o assunto, por já considerá-lo encerrado.
Caravajal afirmou que a Fundação Rubem Berta, acionista majoritária da companhia aérea, havia apoiado a avaliação de aprofundar a redução de despesas economia na empresa. Por isso, ele considerou "surpreendente" a recusa do Conselho de Curadores da Fundação, que está acima do Conselho de Administração, em substituir Pinto por Nelson Bastos. Bastos é um dos executivos do Conselho de Administração.
A recusa provocou a convocação de uma Assembléia Geral Extraordinária de acionistas da Varig, no dia 24 em Porto Alegre
para eleição de um novo conselho. Caravajal não quis admitir que isso significa a saída dos atuais nove conselheiros - mas admitiu que sua situação ficou "muito difícil", com a recusa da Fundação Rubem Berta em substituir Pinto.
Mesmo que saia, o presidente do Conselho de Administração adiantou que vai continuar recomendando um maior corte de gastos em seu outro cargo, de presidente do fundo de pensão dos aeronautas, o Aeros. Segundo Caravajal, a Varig tem uma dívida "muito forte" com o fundo de pensão, cujo valor ele não quis detalhar.
Segundo o presidente do Conselho de Administração, o corte de custos não significaria apenas demissões na empresa. Entre as medidas que a Varig pode adotar para reduzir seus "custos estruturais", está a revisão de rotas, a renegociação de dívidas, o uso das propriedades da empresa "de forma mais adequada".
Caravajal afirmou que a empresa conta com a vitória, na Justiça, de uma ação indenizatória que move contra a União, contra uma retenção do preço das tarifas decretado pelo governo federal. Nesta ação, a empresa pede o pagamento de R$ 2 bilhões de compensação, mas o presidente do conselho afirmou que, após a vitória na Justiça, a empresa deve negociar um valor menor com o governo. A Transbrasil já ganhou uma causa similar, lembrou.
Ele afirmou que a situação da empresa piorou depois da desvalorização do real, por causa da queda de demanda, mas não quis fornecer detalhes sobre a dívida da empresa.
Caravajal reconheceu que, na gestão de Pinto, já houve corte de custos, com a venda de uma oficina de motores para a General Eletric e a recente venda da participação da companhia na empresa multinacional Equanty, há duas semanas. Ele informou que a venda rendeu US$ 30 milhões.

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