São Paulo, 23 (AE) - A polícia prendeu hoje o presidente da Associação dos Camelôs Independentes de São Paulo, Gilberto Monteiro da Silva. Ele é suspeito de controlar o comércio ambulante no Viaduto Santa Ifigênia, no centro. Silva foi detido no fim da tarde, na Câmara Municipal, que avalia a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito sobre supostos esquemas de propinas envolvendo funcionários das administrações regionais da Prefeitura.
De acordo com o delegado Romeu Tuma Júnior, que cuida das investigações do caso, a prisão temporária baseou-se nos depoimentos das 17 pessoas presas. Ele seria responsável pelo controle das bancas instaladas no viaduto e parte do dinheiro arrecadado entre os ambulantes seria repassado ao vereador Hanna Garib (PPB). "Quero saber por que ninguém mexia no viaduto", disse o delegado Tuma Júnior.
Um dos fiscais presos afirmou que a fiscalização da Administração Regional da Sé não tinha autorização para autuar os ambulantes instalados no Santa Ifigênia. Gilberto Monteiro da Silva chegou à Divisão de Registros Diversos por volta das 18 horas. Ele estava acompanhado de um segurança e de sua secretária, Misae Tamashiro.
Poder - O promotor Gilberto Garcia, do Ministério Público Estadual (MPE), afirmou que Silva recolhia mensalmente R$ 40,00 de cada ambulante do viaduto. Esse dinheiro, segundo o Silva, era para a associação. Os promotores do MPE também querem saber por que os ambulantes não eram autuados pela fiscalização da AR-Sé. "Isso nos faz crer que eles recolhiam dinheiro e levavam para alguém com poder para afastar os fiscais do viaduto", suspeita o promotor. Silva está sendo ouvido agora à noite.
A polícia apreendeu diversos documentos na sede da Associação dos Camelôs Independentes de São Paulo - formada por ambulantes que trabalham no Viaduto Santa Ifigênia -, no bairro do Pari, zona norte da cidade. O material será analisado pela polícia.
Comerciante - Hoje o delegado Tuma Júnior decretou a prisão do presidente da Associação dos Comerciantes do Brás, Wehbe Da Walibi, o Jô. No fim da tarde o advogado do comerciante
Luís Flávio Borges DUrso, compareceu à polícia. Ele informou ao delegado que seu cliente iria apresentar-se à polícia.

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