São Paulo, 12 (AE) - A presidente da Associação dos Nordestinos, Francis Bezerra, apresentou hoje, no Ministério Público, uma série de documentos sobre um eventual esquema de propinas em Vila Matilde, na zona leste de São Paulo. Ela acusa o vereador Vicente Viscomi (PPB) de ter cobrado propinas da associação.
No dia 20 de maio de 1997 foi aprovada uma lei, de autoria do vereador Viscomi, criando uma feira de produtos nordestinos na zona leste da cidade. Segundo Francis, a feira, que seria itinerante, começaria ao lado da estação Vila Matilde do metrô. "A lei formalizou a feira, que existe há quase dez anos", explica Francis.
Em troca do projeto, diz Francis, começaram as cobranças. Viscomi teria exigido, por exemplo, a criação do jornal "Eco Nordestino", que exibia uma foto do vereador na primeira página. O jornal circulou no dia da aprovação da lei. Outra exigência teria sido a confecção de um mural de madeira com o nome do vereador, para ser instalado em frente à feira. O mural, que custou R$ 800, deveria ser pago pela associação.
Três meses após a aprovação da lei, no dia 20 de agosto de 1997, uma assessora do vereador teria exigido que Francis comprasse a rifa de um carro, no valor de R$ 500, que seria sorteado pelo gabinete do vereador. Diante da recusa, os expositores foram autuados pela Administração Regional da Penha como invasores de terreno, no dia 30 de agosto. Francis exibiu a cópia de um bilhete do ex-engenheiro da Regional da Penha, Oswaldo Morgado, determinando a autuação. A cópia do bilhete mostra que ele foi escrito no dia 29 de agosto, um dia antes da autuação. "É a prova da corrupção", disse Francis. MP - Ela seria ouvida pelos promotores de Justiça criminal que investigam o escândalo dos fiscais ainda hoje. "É necessário muito cuidado antes de fazer qualquer acusação, pois recebemos um material bruto e ouviremos a denunciante", disse o promotor José Carlos Blat. Ele antecipou que pretende solicitar a abertura de um inquérito policial ao delegado titular da 7ª Delegacia Seccional, em Itaquera, Naief Saad Neto. O vereador Vicente Viscomi não foi localizado pela reportagem.

mockup