Presidente da Volks diz que indústria está mais pobre que revendedor
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terça-feira, 05 de outubro de 1999
Por Marli Olmos 
São Paulo, 06 (AE) - O presidente da Volkswagen Hebert Demel, disse hoje que "a indústria está mais pobre dos que os revendedores", ao comentar a decisão dos representantes dos concessionários de recorrer ao Cade para discutir margens de lucro. Segundo o executivo da maior montadora do Brasil, na média a indústria está perdendo dinheiro, mas na média, os revendedores não estão perdendo dinheiro", destacou.
Demel não concorda com a proposta da Federação Nacional da Distribuição de Veículos (Fenabrave), de efetuar o faturamento de carros direto do fabricante para o consumidor. "A relação entre os cliente e o revendedor precisa ser mais forte que a relação entre fábrica e consumidor", explicou. Ele está estranhando a postura da Fenabrave.
A respeito da mudança da grade do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) nos carros, Demel disse que Ford e General Motors levarão maior vantagem porque possuem linha de utilitários, que foi beneficiada com as mudanças. "Nós da Volkswagen e Fiat não temos esses veículos", destacou. Para ele
os carros grandes foram beneficiados com a redução de IPI, mas isto não quer dizer que as montadoras vão lucrar mais. "Continuaremos perdendo dinheiro, mas a nova grade de IPI representa a melhora de um sistema em geral porque elimina o grande número de faixas de tributação", disse.
As alterações no IPI, em vigor desde o final da semana passada, deixaram a alíquota do carro popular inalterada (10%). Mas reduziram a alíquota dos modelos de luxo, que antes recolhiam IPI de 35%, para 25%, o mesmo percentual dos modelos médios. Os utilitários terão todos alíquota de 10% e a partir de janeiro. O IPI dos veículos com tração 4 X 2 movidos a diesel terão os tributos reduzidos de 25% para 10%.
Emprego - A Volkswagen não vai demitir em represália à greve que metalúrgicos programaram para amanhã, em São Paulo, segundo Herbert Demel. A empresa vai continuar mantendo o programa de redução do efetivo por meio de demissão voluntária e aposentadoria. Demel previu ainda que o marcado de veículos vai crescer 10% no ano 2000. Para este ano, ele prevê a venda de mais ou menos 1,250 milhão de veículos. No ano passado foram vendidas 1,534 milhão de unidades.


