BELO HORIZONTE - O presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Roosevelt Roque dos Santos, afirmou ontem que, ao contrário do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a entidade que dirige ‘‘não explora caixão de defunto’’. A afirmação foi feita durante uma conturbada mesa-redonda sobre os sem-terra patrocinada pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e realizada sob vaias.
Santos afirmou que, nos conflitos por terras no Brasil, ‘‘morre gente dos dois lados’’, mas apenas os sem-terra fazem ‘‘barulho em cima disso’’. O presidente da UDR disse ainda que o MST dirige uma massa de manobra e que ‘‘massa de manobra não é povo no sentido democrático’’. João Pedro Stédile, dirigente do MST, e Raul Jungmann, ministro Extraordinário de Política Fundiária, não compareceram ao debate. O primeiro enviou carta à SBPC afirmando que não se senta à mesa com a UDR, ‘‘uma organização que tem como objetivo acabar com o MST’’. Jungmann disse que não poderia ir à SBPC por compromissos previamente agendados. Escalou um representante, que, apesar de ter confirmado presença, não apareceu. O debate contou com a participação do economista Zander Navarro, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul especialista em questões fundiárias.

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