Presidente da UDR pede prisão de Stedile
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terça-feira, 13 de abril de 2004
Eduardo Scolese<br>Agência Estado 
Brasília, DF- O presidente da UDR (União Democrática Ruralista), Luiz Antonio Nabhan Garcia, 45 anos, pediu ontem que João Pedro Stedile, da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), seja preso por cometer crimes que acirram a tensão no campo. Esse sujeito veio publicamente ameaçar a ordem nacional, dizendo que iria infernizar e botar fogo no Brasil, e sua pena deve ser de reclusão. Ele só alavanca o clima de tensão. Quem comete crime não pode estar solto, disse o líder ruralista.
A declaração de Nabhan foi dada à Folha de S.Paulo minutos antes do início da sessão da CPI da Terra, que durou cerca de quatro horas no Senado e teve o presidente da UDR como depoente. A sessão foi tensa, com bate-bocas entre parlamentares pró-fazendeiros e pró-sem-terra. Nabhan também participou da troca de acusações.
À CPI, formada por deputados e senadores, Nabhan afirmou que nunca viu tanta violência no campo como nos últimos meses. Houve um deboche do Stedile (em depoimento à CPI) quando disse que não existe violência nas ações do MST.
Para o presidente nacional da UDR, é fantasiosa a idéia de que existam milícias armadas por fazendeiros no país. Até hoje nunca vi uma milícia. Nem quero conhecê-las. Cada proprietário é responsável por seus atos. E aproveitou o tema para atacar o MST: A única milícia que conheço é o MST.
De acordo com Nabhan, a Constituição não está sendo respeitada pelo governo federal, pois fazendas produtivas estariam sendo alvo das desapropriações do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária). A lei não está sendo cumprida. É um trauma na vida de qualquer produtor ter a sua fazenda invadida. Para ele, o Incra poderia ser mais imparcial e justo.


