Rio, 28 (AE) - O presidente da holding Telemar, Manoel Horácio da Silva, disse hoje acreditar que os acionistas que controlam a empresa irão pagar a segunda parcela relativa à compra da concessão da operadora, de cerca de R$ 1 bilhão. "O mercado deve ter uma surpresa no dia 4 de agosto", comentou, depois da apresentação do código da empresa para ligações telefônicas a longa distância.
No mercado, há descrédito quanto à capacidade financeira do grupo de acionistas em honrar o compromisso. O grupo, que reúne a Construtora Andrade Gutierrez, Inepar, Macal, Basil Veículos, Aliança Seguros e Fiago (que abriga fundos de pensão liderados pela Previ), foi o mesmo apelidade de "telegang" pelo então ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros. Os trechos mais comprometedores das conversas gravadas no gabinete do então presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), André Lara Resende, giram em torno da necessidade de ingresso de mais um concorrente no leilão da Tele Norte Leste.
Silva desvinculou a gestão administrativa da empresa das questões que envolvem os acionistas. "Não precisamos de aporte financeiro de acionistas para manter o plano de investimentos", afirmou. "Somos uma empresa saudável financeiramente." Frisando ser apenas um executivo, que não toma partido em discussões sobre controle acionário, ele disse que, mesmo que a concessão fosse retomada pelo governo por falta de pagamento, "a empresa continuaria existindo".
Ele lembrou que, se houver mudança societária, a diretoria também não será afetada. "Há harmonia entre os acionistas quanto à manutenção da direção", afirmou. O pedido para mudança da estrutura acionária foi mandado à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), segundo ele, há cerca de 60 dias. Pelo pedido, o BNDES e o grupo La Fonte, que entraram depois do leilão com socorro financeiro aos participantes do consórcio - que não tinham dinheiro para pagar a primeira parcela - entrariam na sociedade, respectivamente, com 25% e 14 5% das ações.

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