São Paulo, 15 (AE) - O presidente da São Paulo Transporte (SPTrans), Pedro Luis de Brito Machado, admitiu hoje, no encerramento do seminário "A crise do Sistema de Transportes", a falência do sistema do transporte coletivo da cidade. "Os projetos existem, mas estão engavetados pois a Prefeitura não possui recursos financeiros", disse. O encontro foi realizado no Sindicato dos Engenheiros de São Paulo, promovido pelo Sindicato dos Motoristas e Cobradores de São Paulo.
Segundo ele, não há qualquer expectativa de melhora até o fim da administração Celso Pitta. Machado informou que as licitações para as obras de alargamento de vias e a construção de corredores exclusivos de ônibus estão paradas. O presidente da SPTrans demonstrou também que o projeto de instalação de catracas eletrônicas nos ônibus urbanos da cidade está sendo um fracasso, devido a redução da receita, uma vez que muitos passageiros estão deixando de pagar as passagens. "Em algumas linhas uma redução de até 70%", disse.
Essa perda de receita é motivada pelo fato de muitas vezes o passageiro ter o dinheiro mas não ter o bilhete e, para evitar brigas, o motorista permite que o passageiro entre pela porta de trás. Fracasso - Ele revelou que o projeto está sendo revisto e que o Transurb, sindicato que congrega as empresas de ônibus, estão pensando em recontratar os cobradores. Os técnicos da SPTrans e do Transurb estão constatando que o custo na instalação de pontos de venda e o trabalho de reposição de bilhetes está sendo maior do que com o pagamento do salário dos cobradores.
Já para o diretor jurídico do Transurb, Antonio Sampaio Amaral Filho, a Prefeitura deve adotar tolerância zero com relação aos perueiros, responsáveis pela evasão de milhares de passageiros dos ônibus. Segundo ele, não deve haver nem negociação nem legalização do sistema de lotações por peruas, a não ser na ligação bairro a bairro. IPVA - Para enfrentar a falta de recursos reclamada por vários segmentos do setor de transporte, o secretário estadual de Transportes Metropolitanos, Claudio Senna Frederico, defendeu que o dinheiro arrecadado com o Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) deveria ser todo destinado ao transporte coletivo público. Para ele, com isso não seria necessário aumentar impostos ou criar outros, onerando ainda mais a população.

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