Presidente da Souza Cruz critica ações de RJ e GO contra indústria de cigarro nos EUA
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segunda-feira, 13 de dezembro de 1999
Por Maria Fernanda Delmas 
Rio, 13 (AE) - O presidente da Souza Cruz, Flávio de Andrade, criticou hoje as ações que os Estados do Rio e Goiás estão propondo contra a indústria de cigarros dos Estados Unidos para recuperação de despesas médicas. O Rio, que iniciou o processo em julho, pede cerca de US$ 5 bilhões. Goiás reivindica US$ 3 bilhões. Segundo o departamento jurídico da empresa, os Estados terão de seguir as regras de produção de provas norte-americanas e, se perderem a ação, também abrem precedente para se tornarem réus.
A indústria de cigarros dos Estados Unidos poderia acionar Rio e Goiás para cobrar os danos. Os dois Estados estariam sujeitos ainda a outro processo movido a partir dos Estados Unidos. "Goiás é grande produtor de amianto e poderia sofrer um contra-ataque", disse Andrade. "Os acordos feitos com os advogados também não permitem que os Estados desistam no meio do caminho, a menos que paguem 5% do valor pleiteado", acrescentou.
Quando soube que advogados norte-americanos estavam conversando com os Estados, no meio deste ano, Andrade procurou o governador de Goiás, Marcone Perillo (PSDB). O objetivo era alertar o governador sobre os riscos da ação. O presidente da Souza Cruz disse que ficou surpreso quando Goiás entrou com o pedido, em outubro. Para ele, seria melhor, ao menos, esperar a Justiça norte-americana examinar o pedido do governo da Guatemala, e dizer se há condições de seguir com esse tipo de ação de estrangeiros.
A área jurídica da Souza Cruz informou que, no Brasil, 47 ações foram propostas contra a indústria do fumo, mas cinco foram extintas, sem julgamento do mérito. Quatro ações individuais já estão em segunda instância na Justiça e sete, em primeira.


