Presidente da OAB no Espírito Santo diz que está sendo ameaçado
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segunda-feira, 01 de novembro de 1999
Por Gustavo Alves 
Rio, 02 (AE) - O presidente da seccional do Espírito Santo da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-ES), Agesandro Costa Pereira, afirmou hoje que recebeu ameaças de morte. Segundo Costa Pereira, as ameaças começaram depois de a Ordem ter se empenhado em uma campanha contra o crime organizado no Estado.
O presidente da OAB-ES contou que a primeira ameaça foi feita na sexta-feira, durante uma reunião da Ordem com outras entidades civis, para discutir a campanha. Durante o encontro, uma ligação anônima avisou que uma bomba havia sido colocada na sede da ordem e iria explodir a qualquer momento. A Polícia Federal fez uma vistoria na sede, mas não localizou nenhum explosivo.
No domingo, a polícia prendeu um homem que entrou à noite na casa de praia de Costa Pereira, em Jacaraípe, no município da Serra, na região metropolitana da Grande Vitória. O preso estava com vários documentos falsos, segundo o presidente da OAB-ES, e não informou qual era seu objetivo quando invadiu a residência. Antes disso, o presidente da OAB-ES afirmou que um carro suspeito foi visto em frente à casa pelos vizinhos. Quando ocorreu a prisão, ele estava em Vitória.
Costa Pereira informou que comunicou os fatos ao presidente do Conselho Federal da OAB, Reginaldo de Castro, mas não pediu proteção policial. "Não acredito muito que isso funcione", afirmou o advogado. Ele afirmou que várias investigações apontam envolvimento das polícias Civil e Militar com o crime organizado no Espírito Santo.
"Forças poderosas" - A última investigação deu origem a um relatório do Ministério Público Federal (MPF) no Estado, que foi enviado ao procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, segundo Costa Pereira. "Depois disso, não houve prosseguimento do caso", informou o presidente da OAB-ES. Ele afirmou que vários outras denúncias contra o crime organizado já foram feitas no Espírito Santo, mas "forças poderosas" sempre interrompem as investigações. O relatório do MPF ligava políticos ao crime organizado capixaba.


