Brasília, 11 (AE) - O presidente da subsecção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Piauí, Nelson Nery Costa, encaminha quarta-feira (13) ao governador Francisco Moraes Souza (PMDB), o Mão Santa, um pedido para que o comando da Polícia Militar seja assumido por um coronel do Exército. Ele considera a intervenção do Exército fundamental para se garantir a fluidez e a lisura das investigações sobre as atividades do crime organizado no Piauí e o suposto envolvimento de coronéis da PM e outras autoridades públicas. "O alto comando está sob suspeita e o grau de contaminação da PM é muito elevado", justificou o advogado, na sede do Conselho Federal da OAB, em Brasília.
Costa considera que o governador terá dificuldades para nomear outro comandante da PM, depois da demissão do coronel Valdílio Falcão, que ocupava o cargo, e do irmão dele, coronel Odiwal Falcão, chefe do Gabinete Militar. Os dois são citados no dossiê sobre o crime organizado no Estado e pesam sobre eles suspeitas de enriquecimento ilícito e uso de notas fiscais frias para justificar despesas não-realizadas dos órgãos que chefiavam. "O governador não tem opção", sustentou. "Houve perda de comando e precisamos de uma solução externa para dar uma sacudida", avaliou, lembrando que, há alguns anos, a PM do Piauí foi comandada por um coronel do Exército.
O assunto também deverá ter repercussões no Congresso. O deputado Wellington Dias (PT-PI) deve encaminhar quarta-feira às Comissões de Direitos Humanos, de Fiscalização e Controle e Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico na Câmara um dossiê com denúncias de tortura, enriquecimento ilícito e envolvimento com o narcotráfico de diversas autoridades policiais do Piauí. Ele quer que esses assuntos também sejam investigados.
Hoje, o deputado entregou cópias do dossiê com os crimes listados pelo juiz da 3.ª Vara Federal no Piauí, Rui Costa Gonçalves, ao secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, e ao presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Iram Saraiva. Segundo o deputado, Maciel designou à fiscalização da Receita apoio na investigação, além de ter se comprometido a enviar o dossiê ao Serviço de Inteligência do governo federal. "O secretário da receita frisou que será necessário que as comissões da Câmara façam pressão para que a Justiça quebre os sigilos bancários e patrimoniais dos suspeitos", afirmou.
No TCU, Dias deixou a cópia do dossiê e pediu que o tribunal fizesse uma auditoria nas contas do Estado. "Há provas do uso de notas fiscais frias desviando recursos do Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental (Fundef) e do Sistema Único de Saúde (SUS)", afirmou o deputado. Dias afirmou que o presidente do TCU designou um relator para investigar as denúncias do desvio de verbas.
O presidente da OAB do Piauí também está defendendo a transferência para unidades do Exército dos suspeitos de envolvimento com o crime organizado no Estado, detidos nas dependências do batalhão da PM. Ele teme uma "queima de arquivo". Costa quer ainda que seja prorrogado o prazo de 30 dias de prisão preventiva desses suspeitos, principalmente o do coronel da PM reformado Viriato Correia Lima, acusado de chefiar o crime organizado no Piauí. O presidente da OAB do Piauí considera esse prazo insuficiente para se concluir as investigações e teme que a libertação do coronel intimide a população. "Se isso ocorrer, vai instalar-se o pânico no Estado", prevê.
Costa está retornando amanhã (12) a Teresina, depois de cinco dias fora do Estado, de onde saiu com a família, sob ameaças de morte.
Ele estará sob proteção da Polícia Federal (PF) e considera o perigo descartado nesse momento. "Risco (de morte) existe, mas temos de enfrentá-lo; é o sacrifício que se impõe a um presidente da OAB e todos temos de assumir nossa parcela de responsabilidade", afirma.

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