Presidente da Mercedes-Benz pede redução dos juros internos
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quinta-feira, 22 de abril de 1999
Por Renato Andrade 
Juiz de Fora, 23 (AE) - A Mercedes-Benz inicia as operações de sua primeira unidade de veículos de passeio instalada fora da Alemanha com um discurso afinado com os demais representantes do setor produtivo brasileiro: o governo federal precisa reduzir as taxas de juros e buscar uma maior agilidade na condução das reformas, para que a unidade possa ter um crescimento "sustentável". Esta foi a tônica da apresentação do presidente da Mercedes-Benz no Brasil, Ben Van Schaik, à imprensa, hoje, durante a solenidade de inauguração da unidade da montadora alemã em Juiz de Fora, a 250 quilômetros de Belo Horizonte. O executivo enfatizou que a direção da Mercedes "confia" no governo brasileiro e ressaltou que a Mercedes manterá sua atual política de investimentos. Ele trabalha com um cenário econômico de taxas de juros anuais entre 25% e 30%, com um câmbio no valor de R$ 1,70 por dólar. A previsão de inflação para este ano é de 15%.
A unidade da Mercedes-Benz em Juiz de Fora absorveu US$ 820 milhões em investimentos. Em consequênica das quedas em vendas do setor automobilístico no país, a unidade - que tem capacidade de produção instalada para 70 mil veículos por ano - pretende produzir neste exercício apenas 25 mil unidades. Deste total, 15% serão destinados aos países do Mercosul. As primeiras exportações serão feitas para Argentina e Chile. Existe ainda a meta de exportar alguns veículos para o México, ainda este ano.
A nova planta da Mercedes-Benz irá produzir dois modelos do Classe A - Ellegance e Classic. A comercialização dos veículos será iniciada em junho, através de 53 concessionárias instaladas no país. Até o final do ano a Mercedes espera ter ampliado esta rede para um total de 100 representantes. Segundo o diretor de Vendas da montadora, Roberto Bógus, o preço dos modelos deve ficar entre R$ 33 mil e R$ 36 mil. Os modelos concorrerão com veículos como o Senic (Renault), Astra (Chevrolet) e Golf (Wolkswagen).
Incentivos - O presidente da Mercedes-Benz do Brasil, Ben van Schaik, evitou polemizar a questão dos incentivos fiscais que o governo mineiro concedeu à montadora. O executivo voltou a afirmar que o acordo será mantido, sofrendo apenas uma alteração nos prazos para o repasse por parte do Estado destes incentivos. A discussão sobre a revisão do contrato entre o governo mineiro e a Mercedes teve início em fevereiro, depois de declarações do governador Itamar Franco sobre a intenção de rever os incentivos do Estado às montadoras. Quatro reuniões técnicas foram realizadas antes de se chegar a um acordo.
Segundo Schaik, a Mercedes aceitou rever os prazos dos repasses por compreender as dificuldades financeiras enfrentadas pelo Estado. Em março, Minas deixou de pagar a primeira parcela do acordo, de cerca de R$ 10 milhões. O executivo disse que a direção da montadora ainda não definiu se irá buscar um trabalho em conjunto com a Fiat, que também está instalada em Minas Gerais, para pressionar o governo estadual a reduzir o porcentual de ICMS cobrado dos veículos, assim com foi feito em alguns estados brasileiros, como é o caso de São Paulo.


