Presidente da Ipiranga pede que BNDES tenha critérios transparentes
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 28 de janeiro de 2000
Por Sérgio Bueno 
Triunfo, RS, 28 (AE) - O presidente do grupo Ipiranga, um dos controladores da Copesul, Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, pediu hoje ao presidente Fernando Henrique Cardoso a definição de "critérios claros e transparentes" na concessão de financiamentos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Falando durante a inauguração da nova unidade de matérias-primas petroquímicas da companhia, o empresário disse que o BNDES "é importante demais", pois trata-se da "única fonte" de créditos de longo prazo para o setor privado no País.
"Já conversei a respeito com o dr. Calabi (Andrea Calabi, presidente do banco) e, apesar de algumas divergências, vejo com muita satisfação a preocupação do BNDES em apoiar a empresa brasileira", disse Vieira. De acordo com ele, a instituição deve adotar critérios "universalmente aceitos" para que os investidores tenham as mesmas oportunidades. "Que o apoio é necessário, não há dúvida. A questão é como e por que apoiar". O empresário, que preside Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), reconheceu o apoio do BNDES na duplicação da Copesul, controlada pela Ipiranga e pelo grupo Odebrecht. Segundo ele, o banco financiou 30% do investimento na expansão da empresa, que totalizou US$ 667,4 milhões. Com a ampliação, a central de matérias-primas elevou sua produção de eteno de 685 mil para 1,135 milhão de toneladas por ano.
Vieira pediu ainda ao presidente Fernando Henrique condições de "isonomia competitiva" para as empresas nacionais enfrentarem a abertura comercial do País. "Condições que incluem custos de capital compatíveis, infra-estrutura adequada, custos trabalhistas racionais e um sistema tributário similar aos de outros países". De acordo com ele, porém, a demanda não deve ser confundida com a criação de "mecanismos artificiais" que eliminam a competição, criam "cartórios" e prejudicam o consumidor.


