Brasília, 22 (AE) - O presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Carlos Frederico Marés, anunciou hoje que pedirá demissão na segunda-feira, em sinal de protesto à violência empregada pela Polícia Militar da Bahia contra um grupo de índios durante manifestação em Santa Cruz Cabrália na manhã do sábado. "Foi truculência pura", desabafou, antes de deixar a cidade. "Não havia intenção de dissolver a marcha, mas de machucar as pessoas".
O presidente da Funai participou de marcha organizada por grupos indígenas de diversas tribos, que reuniu 2.500 pessoas entre adultos, crianças e idosos. O primeiro ataque da PM aconteceu às 7h30 da manhã, quando os índios saíram em marcha
e só foi contido porque o próprio Marés negociou com os policiais para que a manifestação prosseguisse, já que "era pacífica" e tinha o conhecimento do governo.
Horas depois, entretanto, o clima de tensão cresceu e os policiais militares fizeram nova tentativa de conter a marcha, dessa vez, agredindo os manifestantes com cacetetes. Os índios já haviam percorrido oito quilômetros. A PM usou inclusive bombas de efeito moral - gás lacrimogêneo - e, além dos índios, feriu um assessor da Funai.
Carlos Marés, que vinha à frente com os índios, viu uma bomba explodir a seu lado e ficou com o corpo dolorido. "Não houve disposição para o diálogo", disse horas depois. "Os manifestantes corriam em desespero e eles (os policiais) corriam atrás, agredindo com cacetetes e lançando bombas", contou Marés. "Só vi truculência como aquela em 1968, durante a ditadura militar".
Ex-exilado político e amigo pessoal da primeira-dama, Ruth Cardoso, o presidente da Funai já estava com um pé fora do governo desde a destruição de monumento construído por índios em Cabrália, semanas antes das comemorações.

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