Porto Alegre, 29 (AE) - O presidente da Ford do Brasil, Ivan Fonseca e Silva, reúne-se hoje à tarde com deputados estaduais e com o presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), Dagoberto Lima Godoy, para explicar as razões que levaram a empresa a cancelar a instalação de uma montadora no Estado. Pela manhã ele encontrou-se com o prefeito de Guaíba, onde seria implantada a fábrica, Nelson Cornetet, a quem anunciou a doação de uma ambulância e de um caminhão de bombeiros.
Fonseca e Silva chegou ao Rio Grande do Sul em meio a um clima de comoção entre empresários e políticos da oposição pela ruptura das negociações com o governo estadual, que não concordou em manter os empréstimos subsidiados integrais, de R$ 461 milhões, prometido à Ford pela administração anterior. De acordo com o executivo, o Estado foi "inflexível" e apresentou uma "proposta inviável" para a manutenção do projeto.
Pela manhã, durante o lançamento do Prêmio Qualidade RS 1999, o empresário Jorge Gerdau Johannpeter, presidente do grupo Gerdau, sugeriu que a sociedade gaúcha se "mobilize" pela manutenção da fábrica e "peça desculpas" à empresa devido ao rompimento do contrato pelo Estado. O presidente da Federação das Associações Comerciais do RS (Federasul), Mauro Knijnik, propôs que as empresas gaúchas contribuam para um fundo destinado a garantir os recursos para a instalação da montadora.
O governo gaúcho publicou anúncio nos jornais estaduais de hoje afirmando que apesar da "séria dificuldade financeira que enfrenta", mantém sua disposição para negociar e espera que a empresa "abandone a intransigência e considere com serenidade nossa proposta". A nota confirma as informações prestadas ontem pelo secretário de Desenvolvimento, José Luiz Vianna Moraes, e relaciona cinco pontos que o Estado propôs à Ford: 1) não contestação dos incentivos fiscais já concedidos, no valor de R$ 3 bilhões; 2) execução de obras de infra-estrutura (luz, água, esgoto e arruamento) no valor de R$ 84 milhões; 3) empréstimo de R$ 70 milhões com a participação de instituições financeiras públicas do Estado; 4) viabilização das demais obras de infra-estrutura através da participação de outras esferas da Federação nas obras de sua competência e de concessão à iniciativa privada, no total de R$ 106 milhões; 5) manutenção dos R$ 42 milhões já repassados.
O comunicado acrescenta que uma proposta superior a esta significaria "ultrapassar o limite dos danos à estrutura administrativa do governo e causar graves prejuízos à saúde, educação segurança do povo gaúcho". De acordo com a nota, se mesmo assim a Ford "não teve ainda essa compreensão e permanece na exigência de receber em condições privilegiadas quase meio bilhão de reais dos cofres públicos", outros investidores continuam apostando no desenvolvimento do Rio Grande do Sul.

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