Presidente da Ford diz que não há meio termo na negociação com o RS
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quarta-feira, 28 de abril de 1999
Por Sérgio Bueno 
Porto Alegre, 29 (AE) - O presidente da Ford do Brasil, Ivan Fonseca e Silva, disse hoje que não existe "meio termo" na negociação dos incentivos com o Rio Grande do Sul para a instalação de uma fábrica no Estado. Logo após uma audiência no gabinete do presidente da Assembléia Legislativa, Paulo Odone, para "agradecer" aos "parceiros" que ajudaram a empresa durante os últimos dois anos, ele afirmou ao líder do governo gaúcho, deputado Ronaldo Zulke, que "não precisamos de negociação, só honrar os compromissos acertados".
Fonseca e Silva rejeitou a "pecha" de "intransigência" da empresa. De acordo com ele, a primeira negociação, ainda com o governo anterior, foi modificada por força de legislação federal que impediu o aumento do endividamento do Estado. "O projeto começou com o compromisso do governo de suportar toda a extensão do nosso empreendimento"
disse. Com a mudança, porém, "a grande parte" dos recursos para a sustentação do investimento viria do BNDES, por intermédio de um financiamento de US$ 550 milhões. "A menor parte é a do governo do Estado", comentou.
Segundo o presidente da Ford, a empresa não teria a "menor condição de competitividade" com as novas montadoras de seus concorrentes se as condições originais do contrato fosse alteradas. "Expliquei esta nossa posição à exaustão ao governador Olívio Dutra (PT)", afirmou.
Fonseca e Silva assegurou também que o projeto da nova fábrica, denominado "Amazon", será mantido no Brasil dentro dos cronogramas originais. "Podemos recuperar o atraso se trabalharmos dia e noite". Ele não adiantou para qual Estado o projeto poderia ser transferido.
Segundo o executivo, a Ford vai examinar "para a frente" a possibilidade de ingressar na Justiça contra o governo gaúcho pelo rompimento do contrato. "Estaremos examinando detidamente todas as responsabilidades; existem fornecedores que fizeram inversões enormes no projeto".
Quanto à eventual devolução dos R$ 42 milhões que já haviam sido repassados pelo Estado no governo passado, ele disse que é preciso antes "considerar os desembolsos, os compromissos e os prejuízos" decorrentes da frustração do acordo.


