São Paulo,6 (AE) - O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, fez duras críticas hoje à concessão de incentivos fiscais para a instalação da nova fábrica da Ford na Bahia. Segundo ele, os R$ 700 milhões de recursos destinados à montadora poderiam proporcionar a criação de 300 mil empregos no campo, onde o custo de um posto de trabalho é de R$2,5 mil. "Não precisa dar nada que elas (as montadoras) vêm", afirmou Paulinho, durante inauguração do Centro de Solidariedade ao Trabalhador, no Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos, na grande São Paulo.
Na opinião do sindicalista, as montadoras instalam-se no País para realizar atividades como apertar parafusos. "Mesmo para isso, ainda dão dinheiro e pagam a obra", criticou. Paulinho disse que não acredita que a nova fábrica da Ford criará 3 mil empregos. Ainda que isso ocorra, em sua opinião, será o "emprego mais caro do mundo".
Frentes - Paulinho disse que espera receber na reunião de amanhã com o ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, uma resposta para a proposta da criação de frentes de trabalho apresentada pela entidade. De acordo com a sugestão, o governo federal criaria um milhão de empregos, por um ano, ao custo de R$1,3 bilhão. Paulinho informou que os recursos seriam tirados do seguro desemprego (R$700 milhões) e do Fundo de Amparo ao Trabalhador (R$400 milhões), além de outras receitas.
Segundo o sindicalista, pela proposta o trabalhador receberia salário mínimo, cesta básica e vale-transporte. A administração das frentes de trabalho seria feita por cooperativa em parceria com os sindicatos.

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