Presidente da Fiesp diz que crescer 4% é andar para trás
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quarta-feira, 01 de dezembro de 1999
Por Liliana Pinheiro 
São Paulo, 01 (AE) - O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Horácio Lafer Piva, disse hoje, durante seminário com sindicalistas e empresários, em Santo André, que com o crescimento econômico de 4% projetado para o ano que vem o Brasil vai andar para trás, e não para a frente como sugere o governo. Isso porque, segundo ele, essa taxa não permitirá recuperação do emprego e da estabilidade social.
O empresário lembrou que além do estoque de cerca de quatro milhões de desempregados nas regiões metropolitanas pesquisadas, mais 1,5 milhão de jovens entram todos os anos no mercado. "O brasileiro está sendo excessivamente complacente com o custo social da estabilidade da moeda", afirmou Piva. "E a indústria de São Paulo também não deve se resignar a essa idéia de que o Brasil vai continuar crescendo a ridículas taxas, ano após ano." Piva participou de um debate sobre educação e emprego na Central de Trabalho e Renda da Central Única dos Trabalhadores (CUT), entidade com três meses de existência, mantida com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAP), que cadastrou 28 mil desempregados na região do ABC e só conseguiu captar 400 empregos. Isso significa uma relação de 70 candidatos por vaga.
Segundo o diretor executivo da Central de Trabalho e Renda, Valtenice de Araújo, os candidatos têm em média 11 anos de escolaridade (padrão de primeiro mundo) e mesmo assim não encontram uma chance de colocação. Em parte, esse déficit se deve ao fato do empresário não ter o hábito de buscar empregados num sistema público de emprego e de seleção de pessoal, segundo Araújo. Mas, ele atribuiu também a falta de vagas à ausência de confiança das empresas numa recuperação da economia e do consumo no curto prazo, apesar das sazonalidade favorável do último trimestre.
Para Piva, a ausência de vagas se deve, entre outras coisas, ao fato de a indústria no Brasil, afogada em impostos e em aumento de custos, e tolhida pela redução de consumo, não estar com fôlego. Quando a indústria não cresce, disse o empresário, comércio, construção civil e setor de serviço acabam também se retraindo.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho, afirmou que o governo não tem projeto para combater o desemprego nem mesmo em áreas com grande potencial de criação de postos de trabalho, como agricultura e turismo. Essa falta de ação, de acordo com ele, é sentida pela sociedade. "Apesar de muitos falarem em recuperação econômica, se fizerem uma pesquisa de opinião, descobriremos que a sociedade está com grande medo do futuro."


