Presidente da Fiesp defende reajuste de salário para manter pode de compra
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quarta-feira, 10 de março de 1999
Por Denize Bacoccina 
São Paulo, 11 (AE) - O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Horácio Lafer Piva, defendeu o reajuste de salários para garantir a manutenção do poder de compra do trabalhador. "Temos que defender o emprego e o poder aquisitivo", disse Piva, após uma reunião com membros da Câmara do Grande ABC, com participação de prefeitos das cidades da região e do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo. "Não queremos que o consumidor não tenha dinheiro para consumir", explicou.
Piva acha que ainda é cedo para falar em inflação anualizada e que é preciso esperar um tempo para avaliar a contaminação do aumento do dólar nos preços e no custo de vida. "É claro que também tem um limite e acima disso é preciso repor", afirmou. "Em algum momento vamos ter que conversar sobre isso." Piva disse ser contra a indexação da economia, mas "a favor da manutenção do poder de compra do trabalhador".
O presidente da Fiesp também duvida da estimativa de US$ 11 bilhões de superávit na balança comercial de 99, anunciada pelo governo. "Essa meta é muito ambiciosa, não ponho fé nesse número", disse o presidente da Fiesp. Ele critica especialmente a expectativa de redução de importações. "O correto é investir no aumento das exportações", afirma.
A reunião de hoje da Câmara do Grande ABC marcou a entrada da Fiesp no grupo. Os prefeitos e sindicalistas discutiram formas de aumentar a produtividade das empresas e diminuir o desemprego na região - enquanto na média da Grande São Paulo a taxa de desemprego é de 17,8% no ABC salta para 20 4%.
Um dos objetivos da Câmara é fomentar o desenvolvimento do pólo petroquímico do ABC. As indústrias desse setor na região
que produzem de PVC a artefatos de plásticos, tem capacidade para dobrar a produção mas não conseguem aumentar sua cota de nafta, a matéria-prima básica de todos esses produtos. A desvalorização do dólar vai ajudar a região, com a reativação da produção de peças e componentes importados, que agora ficaram muito caros.


