Presidente da Fiemg critica Itamar por não ir a reunião
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terça-feira, 23 de fevereiro de 1999
Por Tânia Monteiro 
Brasília, 24 (AE) - O presidente da Federação das Indústrias do Estrado de Minas Gerais (Fiemg), Stephan Salej, criticou hoje a resistência do governador Itamar Franco (PMDB) em negociar com o governo federal uma solução para as dificuldades financeiras do Estado e defendeu a participação dele na reunião marcada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso para sexta-feira (26). "Esse impasse está durando demais, e está todo mundo precisando voltar a trabalhar, precisando produzir e arrumar emprego", afirmou Salej.
"O Itamar levou essa história além dos limites do aceitável", atacou. Após encontro de mais de uma hora com o presidente, no Palácio da Alvorada, o empresário disse ser a questão de Minas Gerais "isolada" e o povo mineiro o principal prejudicado pelo impasse criado com a moratória decretada em janeiro. "Nós pedimos, sugerimos, insistimos e esperamos que Itamar Franco participe da reunião porque Minas faz parte do Brasil, e não há nenhuma razão para que o governador não apareça na reunião", disse o presidente da Fiemg. Salej informou que, além do arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, d. Serafim Fernandes, outras autoridades deverão entrar no processo de mediação para tornar viável um entendimento entre Fernando Henrique e Itamar.
Segundo ele, "é um direito do governo mineiro pedir a renegociação da dívida do Estado com a União, mas é um direito da Nação brasileira dizer não porque, se renegociar a de Minas, será necessário renegociar as de todos os Estados". O presidente da Fiemg frisou, entretanto, que "quem mais precisa de um entendimento entre a União e Minas Gerais é o trabalhador" porque os investimentos no Estado estão sendo reduzidos cada vez mais. Ele lembrou que, em recente reunião do Mercado Comum do Cone Sul (Mercosul) no Rio, representantes europeus que compareceram ao encontro "bateram duro, querendo saber quando é que Minas vai cumprir os acordos". Salej disse que essa desconfiança dos estrangeiros "afeta a economia brasileira".
Para Salej, é necessário impor-se punições aos que não cumprirem os contratos. "Tem de haver um controle sobre os Estados; até agora, só foi feito acordo sobre dívida, e isso não é suficiente para se promover a estabilidade", declarou.
Segundo ele, "não se trata de renegociar para não pagar" porque, pelos procedimentos atuais, "estamos fazendo dívidas para nossos tetranetos". O presidente da Fiemg defendeu ainda uma solução para as dívidas dos municípios com a União, que, diferentemente das das unidades da federação, "não foram submetidas a negociação", embora alguns municípios sejam "maiores do que Estados".
Na avaliação do empresário, essa é uma questão "que vem se arrastando e precisa ser resolvida". A conversa do empresário mineiro com Fernando Henrique, entretanto, não girou apenas em torno da questão mineira e da falência da administração pública. O emprésário contou que também discutiram a conjuntura econômica do País, a necessidade de retomada do crescimento econômico, os altos juros, o acordo que está sendo renegociado com o Fundo Monetário Interrnacional (FMI) e a necessidade de aumentar-se a criação de empregos.
"O empresariado brasileiro não abre mão do ajuste fiscal em todos os níveis", declarou Salej. "Ou se faz o ajuste fiscal, se aumenta a produtividade do setor público e se começa a prestar serviços mais eficazes ao cidadão ou não há chance de desenvolvimento", acrescentou.
Para ele, a conjuntura econômica nacional exige cinco providências imediatas: a solução do déficit público; o combate à "inflação interna"; a geração de empregos; uma reorganização dos incentivos fiscais, e a retomada do crescimento econômico.


