Presidente da Fiat critica governo argentino
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quinta-feira, 22 de abril de 1999
Por Ariel Palácios, especial para a AE 
Buenos Aires, 23 (AE) - O presidente da Fiat argentina, Vincenzo Barello, criticou nesta sexta-feira (23) o governo argentino pela falta de firmeza nas negociações com o Brasil. "Não devem ser feitos acordos aceitando tudo o que os brasileiros pedem", declarou, referindo-se às negociações sobre o acordo do regime comum da indústria automobilística.
Barello sustentou que o governo argentino precisa ser mais realista e preocupar-se mais com sua indústria. "É evidente que devem ser feitos acordos com o Brasil, mas isso não é fazer acordo; é ceder, o que é bem diferente", comentou.
No contexto da reunião que os chanceleres Luiz Felipe Lampréia
do Brasil, e Guido Di Tella, da Argentina, terão neste domingo e segunda-feira para analisar o andamento do Mercosul e seus recentes conflitos comerciais, Barello comentou um de seus temas principais: o regime automotivo.
Plano velho - Segundo o presidente da Fiat, "se o velho projeto de regime for aprovado, com o livre comércio no Mercosul
ou seja, 0% de tarifa alfandegárias, sem acompanhamento ou compensações para a Argentina, põe-se em risco a indústria local.
"Sabemos quais são as diferenças de custo e competitividade a favor do Brasil e isso provocaria uma invasão de produtos brasileiros", lembrou. Barello lamentou, no entanto, que o governo argentino só esteja "buscando soluções intermediárias".
Para Vincenzo Barello, "se essa questão ficar dependendo das forças naturais do mercado, não vamos solucionar os problemas". "O Brasil continuaria sendo ultra-competitivo."
Barello disse, ainda, que a Argentina se comporta de modo "mais papista que o Papa" quando não toma medidas contra o Brasil temendo ser levado à Organização Mundial do Comércio (OMC).
"Os negociadores argentinos teriam de ser um pouco mais firmes; no Brasil nunca seria aprovado algo que causasse prejuízo à indústria brasileira", observou. "Por que a Argentina precisa ocupar-se da OMC com todo o protecionismo que existe na Europa, nos Estados Unidos ou no Japão?"
O principal alvo das críticas, o secretário da Indústria e Comércio, Alieto Guadagni, declarou que as afirmações de Barello "são um disparate total".


