São Paulo, 12 (AE) - O presidente da Fundação Estadual para o Bem Estar do Menor (Febem), advogado Guido de Andrade, pediuhoje à noite "ajuda de todos" para tentar resolver o problema dos menores. "Não sou Mandrake, milagreiro ou Mister M ", afirmou. Ele atribuiu "à superlotação" a rebelião de sábado à noite e a fuga em massa de hoje. "Nós ficamos entre a contenção e a proteção dos meninos, é um jogo que precisa ser jogado com muito cuidado."
Depois de ser informado - às 19h10 - que já haviam sido recapturados 138 fugitivos, Andrade anunciou que "no máximo" em 120 dias será concluído um complexo para abrigar 960 menores. "Vamos fazer uma tomada de preços por emergência." O presidente da Febem disse que o governador Mário Covas autorizou o empreendimento.
Segundo Andrade, havia projeto para construir o novo estabelecimento no município de Franco da Rocha, na mesma área do antigo Complexo Juqueri. "O problema é que a área é reserva ambiental", lamentou. Sobre as características da unidade, Andrade fez questão de explicar que não será uma espécie de "piranhão" - como é conhecido o Anexo da Casa de Custódia e Tratamento de Taubaté (inaugurado em 1983, no governo Franco Montoro), prisão de segurança máxima. "Vamos abrir um estabelecimento mais seguro, para evitar tantas fugas".
O presidente da Febem também informou que vai erguer muros em volta do Complexo Imigrantes e dotá-lo de equipamentos. "Essa unidade não segura um frango, imagina um cara que já cometeu não sei quantos latrocínios", disse Andrade, acrescentando que o governador já garantiu a liberação de recursos para execução dos projetos. "A Febem é a única instituição que terá orçamento ampliado."
Andrade disse que os menores recolhidos à Febem Imigrantes - cerca de 1,5 mil - "não são carentes e abandonados". Segundo ele, "são todos infratores e muitos deles já mataram para roubar". Ex-presidente da seção paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Andrade disse que não admite violência por parte dos monitores. "Não posso autorizar a monitoria a bater nos meninos; isso fere meus princípios, mas os funcionários também não podem ficar inertes." Ele ressaltou que se os menores não forem contidos acabam fugindo. "O problema é que também não posso colocá-los atrás das grades, porque a lei não permite."
Sobre os incidentes de hoje, o presidente da Febem declarou que "não houve facilitação para uma invasão". Segundo ele, "as mães entraram na unidade porque era dia de visitas".

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