São Paulo, 18 (AE) - O presidente da Enterpa Ambiental, Roberto Rocha, confirmou que a empresa pagou propinas para a Administração Regional da Penha. O dinheiro, segundo ele, era uma forma de não prejudicar o pagamento dos serviços de coleta de lixo e varrição de ruas prestados à Prefeitura. Rocha prestou depoimento ontem ao delegado Naief Saad Neto, que investiga o esquema de propinas na regional.
O contrato de limpeza pública com a Enterpa foi formalizado em 1995 e é válido até outubro deste ano. No depoimento, Rocha afirma que os problemas começaram no início de 1997, com o atraso dos pagamentos pelos serviços prestados pela empresa. Segundo ele, as planilhas dos serviços começaram a ser reprovadas pela regional da Penha, pois eram consideradas irregulares.
Em certa ocasião, de acordo com Rocha, o superintendente de Resíduos Sólidos da Enterpa, Sílvio Jungmann Pinto, já falecido, alegou que era necessário o pagamento de uma "caixinha", para evitar problemas. A empresa cedeu e, segundo Rocha, o procedimento se tornou rotineiro. Ele diz que não se lembra do valor da extorsão, mas o dinheiro era liberado para Pinto, que por sua vez era repassado para a regional.
Rocha nega qualquer desvio de função por parte da empresa. Ele alega que os veículos colocados à disposição da regional e citados por várias testemunhas, faziam parte do contrato com a Prefeitura.
O coordenador de garagens da Enterpa, José Luis Araújo, também prestou depoimento à polícia, hoje. Ele afirmou à polícia que, em fevereiro de 1997, foi chamado à AR-Penha pelo então supervisor de Serviços Públicos, Pedro Antonio Saul. Na ocasião, Saul teria afirmado que a empresa deveria pagar R$ 15 mil para resolver um problema dentro da regional. Ele repassou o problema para o superintendente Pinto que, no mês seguinte, passou a entregar mensalmente a Araújo um envelope lacrado, que deveria ser entregue a Saul.
No fim de 1997, Saul teria dito a Araújo que tinha comprado um telefone celular e que precisava de R$ 2 mil, fora a "caixinha". Há duas semanas, Saul assumiu a regional da Penha, mas ficou no cargo apenas dois dias; foi afastado por suposta participação no esquema de propinas. Viscome - Hoje, o advogado do vereador Vicente Viscome (sem partido) Sidney Rodolfo Machado, deu entrada com um novo pedido de habeas corpus, com liminar, no Tribunal de Justiça. Segundo o advogado, se a resposta da Justiça for favorável a seu cliente, o vereador se apresentará amanhã à polícia, mesmo que esteja doente.

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