Por Mariângela Heredia
Brasília, 27 (AE) - O presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Alberto Portugal, disse hoje que a sociedade brasileira e o governo precisam criar mecanismos legais para impedir a formação de cartéis ou oligopólios na área agrícola como o que vem ocorrendo com a produção de sementes. Segundo ele, 95% da produção de sementes de milho, por exemplo, ficarão concentrados com três ou quatro empresas, o que é indesejável para o País. "Precisamos tratar deste assunto com seriedade", avisou. A concentração de empresas produtoras de sementes também já começa a incomodar parlamentares que defendem a agricultura no Congresso Nacional.
O deputado Xico Graziano (PSDB-SP), ex-secretário de Agricultura de São Paulo, disse à Agência Estado que é "preocupante" o movimento que vem sendo feito pelas multinacionais de sementes, e também de fertilizantes no País, com a compra das pequenas empresas locais que atuam nesses setores. "O governo precisa buscar mecanismos maios fortes para garantir a produção agrícola", acredita o deputado.
Ainda durante café da manhã realizado hoje em comemoração aos 26 anos da Embrapa, Alberto Portugal, defendeu o plantio de plantas transgênicas no País, afirmando que é preciso não estigmatizar a tecnologia de transferência genética que tem um potencial de benefícios muito grande para a sociedade. "A Embrapa entende que os transgênicos representam uma tecnologia para a produção de plantas mais resistentes a doenças e pragas e com maior qualidade proteica", afirmou. Portugal destacou que não se deve generalizar a questão dos transgênicos, pois existem os que são bons e os que não são, e defendeu a pesquisa com os organismos geneticamente modificados.
A Embrapa deverá recorrer à Justiça Federal de Passo Fundo (RS) para tentar anular a interdição da área de pesquisa experimental com soja transgênica no Centro de Pesquisa do Trigo
feita na semana passada pelo Estado. Segundo o chefe geral do Centro de Pesquisa, Benami Bacaltchuck, a área de pesquisa foi autorizada pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), que não exigiu o Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto no Meio Ambiente (EIA-RIMA), posteriormente cobrados pelo governo estadual.
A área de pesquisa com a soja geneticamente modificada em Passo Fundo é de 2,13 hectares, segundo o chefe do Centro da Embrapa, e a ordem é para que ninguém faça nada sem a presença dos representantes do governo do Rio Grande do Sul que ordenou a interdição. "A Embrapa está preparando uma justificativa para entregar à Justiça Federal porque entende que se nós não fizermos a pesquisa com transgênicos as multinacionais vão fazer lá fora e vender aqui", disse Bacaltchuck.
Supermacarrão - Um dos principais produtos apresentados hoje oficialmente pela Embrapa em comemoração aos seus 26 anos de existência é o supermacarrão, ou o macarrão para a geração 2.000. Enriquecido com soja, que aumenta em até 40% o teor de proteína em relação ao macarrão tradicional de farinha de trigo, o supermacarrão é destinado especialmente às famílias de pequenos produtores, como alternativa alimentar, e aos consumidores com problemas de saúde como diabetes, pois tem menores teores de amido.
De acordo com os técnicos da Embrapa, o novo macarrão é de fácil produção, podendo ser feito em casa ou em escolas da rede pública e entidades assistenciais como creches, asilos, escolas profissionalizantes e hospitais. Nos programas municipais que possuem "vacas mecânicas" para produção de leite de soja, o resíduo restante desse processo pode ser utilizado na produção do macarrão, como opção de uso dos subprodutos da extração do leite de soja. Na avaliação do pesquisador que desenvolveu a nova fórmula, José Marcos Mandarino, esssa é uma das mais importantes utilidades do novo macarrão. Ele lembra que a soja é uma alternativa alimentar de fácil adoção por todas as classes sociais e reduz os níveis de colesterol sanguíneo, previne o câncer de mama, fortalece os ossos contra osteoporose e alivia ondas de calor da pré e pós menopausa. De acordo com o pesquisador, o novo macarrão, além de ser mais nutritivo, não apresenta nenhuma alteração de sabor.
EmbrapaSat- A Embrapa também está lançando o EmbrapaSat, uma das mais completas redes privadas de telecomunicações via satélite do setor público que deverá gerar uma economia anual de R$ 2 milhões para a empresa. A comunicação interna da empresa passa a ser totalmente independente dos serviços de companhias telefônicas e de provedores de acesso à Internet. O sistema, que está sendo utilizado pela primeira vez no País, permite a comunicação de voz, fax e videoconferência, via satélite, entre a sede da Embrapa e as 39 unidades descentralizadas distribuídas em todo Brasil. O presidente da Embrapa, Alberto Portugal, disse que o EmbrapaSat representa uma "revolução" na empresa, reduzindo gastos com telefone, viagens e com a possibilidade de interação total através de videoconferência com até oito unidades de pesquisa de uma só vez.

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