Presidente da Embraer diz que credibilidade segura venda externa
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sexta-feira, 10 de dezembro de 1999
Por Deborah Kanarek e Paula Puliti 
São Paulo, 10 (AE) - O presidente da Embraer, Maurício Botelho, disse hoje, durante o debate Imagem e Marketing do Brasil no Exterior, promovido pela Câmara Americana de Comércio, que o sucesso das vendas de produtos ao Exterior depende, basicamente, de quatro fatores. O primeiro deles é a credibilidade. "O produto não pode ter falhas", afirmou o executivo. Para ele, a credibilidade da empresa e do produto podem compensar os pontos negativos que ferem a imagem do País no Exterior - "queimamos florestas e matamos crianças", são comentários comuns sobre o Brasil na mídia internacional, disse.
Um segundo fator para o sucesso das vendas é a consistência das ações, o que significa que a empresa tem de ter planejamento de vendas, com políticas que tenham começo, meio e fim, e que não deixem de ser executadas no meio do caminho. Dois outros fatores são o respeito às regras internacionais e a satisfação do cliente. Em relação a esse último fator, Botelho destaca a importância da boa logística, da qualidade do produto e do atendimento ao cliente.
Um dos sucessos da Embraer, que hoje exporta 90% da produção e tem papel relevante na balança comercial brasileira, é o investimento em marketing e relações públicas junto aos compradores. A Embraer prioriza o contato pessoal e constante com as empresas, em vez de publicidade institucional e tem, hoje
uma carteira de pedidos de US$ 16,5 bilhões.
Para o sócio da DMB&B, o publicitário Mauro Salles, os produtos brasileiros tem 0,9% do mercado de produtos exportados, mas apenas 0,2% de share of mind. Isso indica a pouca lembrança que os consumidores têm dos artigos brasileiros. Para o publicitário, a criação de um selo que garanta a qualidade dos produtos brasileiros poderia facilitar essa identificação pelo consumidor. Para Salles, os setores de exportação ainda se utilizam muito pouco de lobbies para incentivar as vendas.
Já para o coordenador da revista "Brazil Now" - especializada em vender a imagem do país no exterior - Dircey Brisola, há demanda de investimentos em marketing de relacionamento, especialmente na área business-to-business. "As ações devem ser direcionadas às pessoas que decidem um grande volume de negócios. Não adianta fazer campanha para o cidadão médio americano, é preciso atingir os formadores de opinião".
"Somos vítimas do mercado interno", diz o publicitário Alex Periscinoto, da Secretaria de Estado de Comunicação de Governo da Presidência da República". Ele explica que durante muitos anos cultivou-se a idéia de que o País deveria apenas exportar somente o excedente da produção. Por isso o Brasil, segundo ele, não se preocupou com a comunicação de uma imagem mais positiva. E citou o esforço japonês para desfazer a imagem de produtos de baixa qualidade e cópias investindo na marca Made in Japan, que hoje indica tecnologia e qualidade.
Para isso, o governo está preparando uma campanha de estímulo às exportações pela televisão e quer trazer jornalistas dos principais órgãos de imprensa no exterior e levá-los para conheçam os principais pólos de tecnologia do país.
Para o sócio da DPZ, Roberto Dualibi falta combater a imagem negativa do país protestando sempre que houver injustiças na mídia e dissociando a situação social e política do país da venda e da qualidade dos produtos, como faz a Colômbia, que investiu pesado na divulgação do seu café.


