Presidente da Embraer acha injusta a decisão da OMC
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quinta-feira, 11 de março de 1999
Por Júlio Ottoboni 
São José dos Campos, SP, 12 (AE) - O presidente da Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer), Maurício Botelho, disse hoje que a decisão da Organização Mundial do Comércio (OMC) contra o Programa de Financiamento às Exportações (Proex) não afetará as vendas da empresa. Ele acredita que o governo federal recorrerá da sentença, garantindo a manutenção da ferramenta utilizada pela Embraer em suas vendas. "Achei injusta a decisão da OMC, pois não contemplaram outros subsídios dos canadenses", protestou.
A análise prévia da direção é que a curto prazo a Embraer será mais prejudicada com a decisão do órgão internacional que a concorrente. Entretanto, num segundo momento a Bombardier passará a sentir a falta dos subsídios dados pelo governo do Canadá. Botelho afirmou que o Proex sequer foi condenado, como aconteceu com os dois programas que davam suporte financeiro ao seu competidor. "As medidas protecionistas dos canadenses supera em muito o Proex", comentou.
Botelho avisou que todos os compromissos já firmados pelo governo brasileiro nas vendas da Embraer serão mantidos. Enquanto espera uma readequação do programa, o presidente da ex-estatal disse que continuará negociando seus aviões dentro das atuais regras do Proex. A interferência da OMC no financiamento dos aviões brasileiros, no entanto, manterá o poder competitivo da empresa no mercado internacional. "Isto não tem nenhuma interferência nos nossos custos e preços", concluiu.
O impacto desta decisão no mercado internacional, na opinião de Botelho, será maior sobre os novos clientes que terão um taxa de juro de financiamento um pouco maior da praticada atualmente. Em sua avaliação, a sentença da OMC mantém o poder competitivo das duas companhias. Mas a Embraer pode adotar medidas internas para superar essa desvantagem. "Uma saída é aumentar a produtividade a níveis que possamos dar descontos", observou.
O clima de embate entre as duas partes, porém, deverá permanecer. A Embraer promete denunciar a prática de subsídios ilegais pelo governo do Canadá junto a Bombardier. "As regras de comércio deles são todas escamoteadas, enquanto as nossas são publicadas no Diário Oficial", reclamou.


