Rio, 15 (AE) - O presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), José Luiz Osório, afastou hoje a possibilidade de uma tendência de fechamento de capital em uma grande parcela de companhias abertas em operação no País. "Isto ocorrerá, no máximo, em meia dúzia de empresas", disse ele, discordando de estimativas do mercado que apontam para o enfraquecimento do mercado acionário devido a operações de reestruturação de companhias controladas por matrizes internacionais.
"O custo de capital de algumas controladoras é mais baixo do que o de suas controladas no Brasil, o que torna mais competitiva a captação de recursos lá fora." Ele citou o exemplo da troca feita pela Telefônica, lembrou que houve "dois ou três casos" entre as elétricas, mas comentou que isto não pode ser atribuído a uma consequência natural do processo de privatização, com a compra de empresas nacionais por grandes conglomerados estrangeiros.
Segundo ele, o enfraquecimento do mercado foi causado por três anos consecutivos de graves crises internacionais. Osório não acredita, porém, que o esvaziamento do mercado se agrave. "Não irão ocorrer ofertas generalizadas de fechamento de capital", diz ele, acrescento que cabe à CVM apenas acompanhar os processos para verificar se estão sendo feitos de maneira transparente e de acordo com as normas.
"É uma decisão empresarial que não temos como impedir"
afirmou, lembrando que o órgão já baixou instruções que dão uma certa proteção aos acionistas minoritários que sejam contrários a esta decisão. A possibilidade de convocação do Conselho Fiscal é uma delas. Além disso, caberá à CVM, segundo definição de Osório, um papel coadjuvante nas ações da Bovespa para atrair um número maior de empresas participantes.
O órgão não irá lançar mão de nenhuma medida proibitiva, até porque "o mercado não reagiria bem à base de força", segundo comentou.
Ele considerou normal também a migração de parte do capital nacional para o mercado de capitais no exterior, especialmente para os Estados Unidos, onde houve grande valorização de ações. "É uma miopia nossa não aceitar que empresas nacionais possam fazer captações no mercado externo", avalia. "Se há 22% a 23% de índice de poupança complementar com capital de risco no exterior e empresas nacionais em condições de buscar estes recursos, por que não?".

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